quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Adeus ano velho... bobo, feio e chato!

É estranho achar que o tempo não passa, que os dias não têm fim e desejar tanto encerrar um ano, esperando ansiosamente pela chegada do próximo. Fim de ano sempre foi tão conturbado, tão movimentado, tão cheio de histórias, conversas e momentos divertidos. Não é fácil acostumar com a calmaria. Principalmente para mim, conhecida como o tumulto em forma de gente.

Mais difícil que a calmaria, é o sentimento estranho que invade sem eu nem conseguir explicar. Não é tristeza, não é alegria e muito menos saudade. Parece um conformismo irônico e desagradável, que vai aos poucos tomando conta. Um desânimo exagerado que atormenta e incomoda.

É também uma carência desmedida, causando um ciúme exageradamente insano e fora de controle. Um ciúme doentio de tudo e de todos: mãe, pai, irmão, amigos. É tão forte que algumas vezes até começo a acreditar que vai além... que chega a ser uma pontinha de inveja da felicidade alheia.

Não dá. Sinceramente, não dá.

Não tenho mais a pretensão de renovar promessas para o próximo ano, porque sei que no fim, acabo cometendo os mesmos erros, passando pelas mesmas crises e sobra tanta falta de paciência. É involuntário, eu juro.

E as pessoas ainda acham que estou exagerando quando digo que quero tanto que 2011 chegue. É minha última e única esperança que esse trágico momento passe e que a vida volte a sorrir novamente. Vez ou outra me pego afastando as pessoas com tanta negatividade. Logo eu, logo eu.

Eu não quero descobrir as causas, eu não quero desvendar nenhum mistério. Eu só quero que isso passe, eu só quero que esse ano acabe. E logo! E espero demasiadamente que o Ano Novo seja realmente NOVO, repleto de coisas boas!

Assumo, não gostei do texto. Não era isso que eu realmente queria escrever, mas, foi só isso que “saiu”. E, para completar, vou postar um texto que ao ler, achei que havia sido escrito por mim. É tudo que tenho me dito, desde aquela tarde em que eu resolvi que era o fim. O texto é do blog Verdade Feminina, que eu indico muuitoo!
Até nunca mais

Você pode enganar todas as meninas da cidade. Só lembre-se: ela não é uma delas. Ela nunca foi, porque seria agora? Só porque você chegou e virou a vida pelo avesso, transformou o que era certo em errado, mudou a cara pelo coroa. Não se engane, meu bem. Ela sabe como agir e ela definitivamente irá agir.

Em um dia qualquer ela olhou para o lado e simplesmente não sabia o que fazia ali. Não sabia se eram as taças a mais os pensamentos a mais. Aquilo não a pertencia, aquilo nunca seria dela. Uma pena? Uma sorte? E, felizmente, ela nunca se contentou com pouco. Nunca quis ser a segunda opção, a personagem secundária ou a tapa buraco. Ela não pertence a você, ela nunca vai pertencer a nada. Ela pertence somente ao mundo.

Pegou seu sapato vermelho – combinando com seu rosto demonstrando vergonha – e sua dignidade um pouco abalada e saiu porta a fora. Ela nunca olhou pra trás, ela nunca pensou em uma segunda chance. Segunda chance existe para os fracos conseguirem tomar atitudes sem um peso a mais nas costas, não pra ela. Muitos pensamentos, muita dor de cabeça. É, talvez o culpado disso tudo tenha sido realmente o champanhe da noite passada. Ou a vodka. Ou ela. Ou ele.

Ela não se desesperou, ela nem ao menos chorou de verdade. Lágrimas de crocodilo nunca foram seu problema. Fingia tão bem que até parecia você quando falava que a amava. Tudo mentira. Tudo balela. Lavou seu rosto, mas isso não foi o bastante para tirar as lembranças de sua mente. Mas afinal, o que seria o bastante? Mágoas, mentiras, lágrimas. Agora algo a dizia que aquilo tinha chegado ao fim.

Ela saiu e fechou a porta. Ela saiu e fechou seu coração. Até nunca mais.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tudo o que eu queria te dizer

E quando você disse "amo você, menina", olhando no fundo dos meus olhos agora cheios de sentimentos rasos e maternais, eu senti que a dor de um filho nascendo não deve ser tão desesperadora do que amor sem fim morrendo. Tudo que eu queria te dizer era tudo que eu não posso mais te dizer, ou tudo que eu queria ouvir mais vezes, muito tempo antes de chegarmos a esse ponto de partida, minha partida, tão adiada partida.

Eu só queria ter coragem pra dizer minha verdade nua, que não consigo despir de tantos planos para o futuro que ficaram no passado. E só queria dizer e ir embora numa boa, minha verdade crua, que há um tempo deixei cozinhando em banho-maria. Eu não sonho mais, eu não admiro mais, eu não estremeço mais, eu não me comovo mais. É incrível, eu sei, mas eu não amo mais.
Infelizmente, é a única verdade que tenho, mas o que vou fazer se só consigo dizer com pequenos gestos, como dormir quietinha, muito depois de você, de costas pra tudo aquilo que fazia meu sangue dar voltas e voltas no meu corpo cada noite que o nosso relógio passava tão rápido, contando cada segundo dessa coisa bonita que me fazia tão bem.

E agora parece que nossa história passou por nós dois. Tudo isso foi pra onde? Você sabe? E você, ainda sonha? Com nossa casa, o sofá novo chegando, a gente discutindo quem acorda primeiro esse sábado, onde ficaria sua coleção de REM, Joy Division, Cure, Legião Urbana. Sério que você sonha essas coisas? Pode me emprestar um pouco, se não tiver muita poeira? Lembra da minha rinite?

Não quero mais me contorcer inteira, como fosse uma fruta seca, tentando sentir algum entusiasmo cada vez que você diz alguma bobagem romântica atrasada. Não quero mais riscar cada dia no calendário esperando ter coragem pra me riscar do seu mapa. Não quero mais inventar desculpas toda vez que você vem pra cima e não conseguir sentir nem um pingo de romance ou sacanagem. Não quero mais lamentar triste sempre que me irritar de morte pelas suas manias que adorei toda vida. Não quero mais me sentir suja e culpada sempre que imagino minha mãe me reprimindo só porque deixei de amar um homem, coisa que ela nunca teve audácia de fazer. Não quero mais dar os ombros pra cada coisa bacana que você faz e ficar me sugando do avesso atrás de alguma graça.

Não quero mais você, não quero mais isso e confesso que no momento não ando querendo nem ser eu. Eu queria, eu queria mesmo, que amanhã chegasse um dia cinza, e você por alguns minutos calasse sua boca com seus papos sobre o hospital, seus discos ou a cervejaria nova da esquina de lado. Eu queria não saber de cor suas falas automáticas e as próximas quatro horas viciadas, buscando uma novidade que cause algum impacto nesse corpo que já não sente mais nada.

Se você deixasse tudo de lado, por cinco minutos, e escutasse tudo que meus olhos têm a te dizer, eu diria tudo em silêncio, sem precisar falar. Porque eu sei que todo vestígio de emoção e alegria pura que tenho por estar aqui estão sendo guardadas pra produzir algum choro denso e delicado, um choro pra dar um pouco de imporância a todas essas milhas que a gente acumulou e me fizeram viajar pra tão longe daqui. É tudo que eu queria te dizer. Eu não quero mais. Será que você pode ao menos tentar seguir sem mim?
Texto de Gabito Nunes, postado no www.carascomoeu.com.br
É tudo que eu quis dizer há algum tempo e não consegui. E é tudo que eu hoje sinto, mesmo que algumas pessoas insistam em achar que não.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Final Feliz

Não é possível que os finais felizes só existam nos filmes e novelas. Não, isso não é possível. E nada vai conseguir convencê-la do contrário. E nem adianta dizer que "se não deu certo é porque ainda não é o fim" porque a história do filme e da novela nunca tem fim. É claro que existe uma continuação para aquele ponto onde termina. Para tudo há. Para ela, até para a morte há.
E ela se questionava isso quase todos os dias antes de dormir. Quase porque tinha dias em que existiam alguns anestésicos que a faziam esquecer desse assunto por algumas curtas e finitas horas.
Ela não se sentia triste. Não, isso não. Mas também não se sentia completamente feliz. Existia sempre um vazio que nunca era preenchido. E se sentindo contrária ao que aparentava, descobria que as pessoas acreditavam verdadeira e cegamente no que viam.
É claro que ela se sentia aliviada por não parecer uma "barbie dentro da caixa"* rotulada e amassada. Mas, ao mesmo tempo, perguntava se as coisas deveriam ser realmente assim.
-Talvez o final feliz não tenha chegado porque todos têm a certeza de que já estou vivendo a parte que vem depois do final feliz.
Mas ela não conseguia descobrir o que fazer para mudar esta situação. Ela teria de nascer denovo e perder o sorriso dos lábios, o brilho nos olhos, a alegria contagiante e o jeito espontâneo de encarar a vida. E já que nascer denovo estava completamente fora do horizonte do possível, ela continuava tentando encontrar uma maneira de fazer com que o seu final feliz enfim chegasse.
E foi pensando em seus inúmeros recomeços, que ela descobriu que ninguém precisa de um final feliz para continuar. Foi assim que ela lembrou que não existe incentivo maior que a dor. Sim, porque é só quando se sente dor que surge a vontade de que ela passe o mais rápido possível. Só depois de passarmos por uma experiência sabemos se queremos ou não repeti-la. E, sinceramente, empenhamo-nos mais quando a resposta é negativa do que quando positiva.
E foi assim que ela descobriu e identificou os inúmeros finais felizes que já aconteceram em sua vida, que deram início a inúmeras continuações. E são as continuações que muitas vezes não têm seus finais felizes, nos deixando assim, como ela se sentia... com aquele vazio que a faz querer viver, novamente, um final feliz. Como se aquele fosse o último de sua vida.
E ela então adormece certa de que já realmente pode ter tido seu final feliz. Mas não pense você que amanhã, antes de dormir, ela não vai pensar nisso mais uma vez. Será assim até que o vazio se preencha e voltará a ser quando ele resolver aparecer novamente, como um ciclo vicioso.
*Expressão dedicada a Marielly Martins. Que talvez também mereça estas palavras.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Para uma amiga distante, mas especial...

Conta-se nos dedos quantas vezes nos encontramos, mas é impossível medir ou contabilizar o carinho que sinto por essa mulher. É estranho pensar que nos vimos tão pouco e que, mesmo assim, confio nela como se nos conhecêssemos há anos. Sinto falta das nossas conversas quando ela insiste em sumir do msn no horário comercial. Sinto saudades dos casos engraçados, da vontade que ela tem em me ajudar e encontrar soluções para meus problemas. Preocupada, dedicada, acolhedora, carinhosa e companheira são algumas de suas inúmeras qualidades que se destacaram desde o primeiro momento que a vi. Foram poucos encontros, mas suficientes e intensos o bastante para que ela se fizesse essencial. Sem dúvidas e sem nenhum receio posso dizer que ela é uma grande AMIGA e, independente de estar ou não presente, sinto que ela sempre estará ao meu lado. Conforta-me saber que com este mundo cada vez mais virtual é mais do que fácil mantermos e fortificarmos cada vez mais essa amizade que, para mim, é mais do que importante, é necessária e confortadora.

Me alegra saber que mesmo depois que os interesses que nos uniram acabaram, nossa cumplicidade continua a mesma. Me alegra mais ainda ter a certeza de que não precisamos de nenhum detalhe em comum para seguirmos compartilhando mistérios e confidenciando segredos. Saber que tenho seu apoio me acalma e eu sei que você também sabe que pode sempre contar comigo. É a nossa reciprocidade que nos une e nos faz sermos próximas, mesmo que distantes.

Gosto muito de você! Me preocupo com seus problemas, torço pela sua felicidade, sinto saudades e me lembro sempre de você, em cada detalhe. E espero que esse sentimento bom perdure por muitos e muitos anos.

Agora que percebi quanto tempo fiquei sem postar. E eu sinceramente não sei o porque disso. Mas eu prometo, estou, mais uma vez, de volta!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais um dia difícil

Hoje foi um daqueles dias. Daqueles difíceis dias em que eu não sei o que fazer. Mas a gente já sabia que isso ia acontecer, não é mesmo?

Perdi a conta de quantas vezes me questionei, somente hoje, se minto mais para mim ou para os outros. E confesso que, prestes a me deitar, ainda não encontrei a resposta.

Mas preciso assumir a mim mesma que não agüento mais o silêncio do meu celular, não agüento a ausência da sua presença. Eu ia sumir, mas você não precisa ter levado isso tão a sério! Eu ainda não te disse todas as grosserias que eu havia planejado. Eu ainda não me fiz de a rebelde resolvida pra ver você implorando meu perdão. Eu anda não vi você fazer metade das coisas que eu esperei que você fizesse.

E sim, é isso que mais me dói. O seu conformismo machuca. E é tanta dor que não há como esquecer.

Mas eu odeio você! Eu odeio esse seu jeito imperfeito de quem não tem o menor medo de me perder. Eu odeio a sua segurança. Odeio tudo! Mas já ouviu falar que amor e ódio andam juntos? (Foram exatamente estas palavras que eu usei na nossa última conversa.)

Mais que a ti, odeio a mim. Odeio ser fraca e desistir tão fácil. Odeio ser a melhor conselheira para minhas amigas, mas ao mesmo tempo ter a certeza de que estou falando mais para mim do que para elas. Me uso como exemplo. Orgulho-me do fato de não estar azucrinando ninguém com minhas lamentações, como se fosse uma das coisas mais bonitas do mundo sofrer sozinha.

Mas quem foi que disse que estou sofrendo? Não admito isso nem a mim mesma. Estou resolvida, esqueceu? E nada, nem ninguém vai me fazer voltar atrás.

Eu já não procuro explicações. Já não deixo mais filmes passarem pela minha cabeça. Eu não procuro informações. Eu não demonstro carinho. Não falo sobre lembranças. Não faço planos. E o pior é que isso tudo não se refere só a nós. Isso se refere à minha vida toda. Já não desejo mais, já não sonho mais. Estagnei. Parei no tempo enquanto vejo essa crise passar. E acompanho tudo de um camarote vip com convites esgotados.


Texto escrito na noite da última terça-feira, ao som de Janta – Marcelo Camelo e Malu Magalhães.

Há tanto tempo eu não escrevia tão rápido. Maldita hora em que resolvi entrar naquela locadora. Maldito filme de romance.
“As pessoas erram. Até mesmo as pessoas que amamos.”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O fim

Eu sempre soube que nada nessa vida é eterno, que tudo um dia tem fim. Mas há um ano eu me via lutando compulsivamente contra o fim de uma história que eu desejava fortemente que fosse eterna. O tal destino, sina, príncipe encantado, conto de fadas, chame do que quiser, eu só queria que fosse infinito.

Comecei a acreditar em mentiras nada sinceras e, pior que isso, comecei a criar e acreditar nas minhas próprias mentiras. Justificava erros injustificáveis, aceitava explicações que nada explicavam e acreditava que aquilo realmente era o suficiente.

Por alguns momentos eu até conseguia perceber esta situação, mas preferia continuar a sombra da mentira, escondida ali, sem correr riscos desconhecidos. Mas um dia cheguei ao limite. Sem escutar os conselhos alheios, sem qualquer situação desconfortável, sem brigas, sem discussões. Eu simplesmente entendi que o fim havia chegado. E mais, ele havia chegado há muito tempo, e eu não quis acreditar.

Não foi fácil. Não é fácil. Foram dias lutando contra mim mesma, querendo encontrar a tal luz no fim do túnel. Mas quanto mais eu procurava, mais distante essa luz parecia estar e, então, não tive outra alternativa a não ser aceitar.

Ok. Acabou. Eu me feri, me magoei e me senti uma das pessoas mais fracassadas deste mundo. Incapaz de tornar um desejo real. E por mais que eu tentasse impedir, um filme passava pela minha cabeça. Lembranças do seu cheiro, do seu toque, do seu carinho, das nossas conversas sinceras, das palavras de amor, das histórias para contar pros netos, de como você nunca conseguia mentir, das suas bobagens, da sua atenção e preocupação com meus problemas, das viagens, do primeiro encontro, o segundo, o vigésimo e o último. E minha memória revivia também os momentos trágicos, de brigas, discussões, mentiras e da falta de respeito mútua. E eu que teimava quando me diziam que nós já havíamos perdido o respeito.

E assim eu consegui finalmente aceitar que era o fim. Que de nada mais adiantaria adiar este momento. E que o melhor a se fazer era mesmo colocar um ponto final, sem reticências nesta linda e trágica história. Mas, mais difícil que aceitar o fim, foi saber como agir depois disso. O que falar, o que fazer, como me comportar depois que a decisão havia sido tomada. Como fingir que eu estava bem, que meu coração não doía e que as coisas estavam como eu realmente queria? Essa foi mesmo a parte mais difícil e, hoje, tenho a certeza de que foi aí que mais falhei. Eu não soube disfarçar e não soube evitar o clima.

As lágrimas me impediam de falar qualquer coisa e a solução que encontrei foi o bilhete. A música que eu tanto gostava e que, hoje, consegue fazer com que eu me sinta o pior e mais fracassado dos seres humanos. Mas, como aquele verso mesmo diz: “Tenho que aceitar; caberá, ao nosso amor o eterno, não dá”.

Não vou dizer que a dor passou. Não vou dizer que superei todos os meus medos e toda a minha decepção, mas, hoje, eu aceitei e sei que foi o melhor para nós, principalmente para mim. Sim, sem nenhuma dúvida, foi o adeus mais difícil, mas de maior alívio que já dei.

E que ninguém pense que a felicidade estampada no rosto hoje é falsa, pois ela não é. Independente de qualquer coisa, me sinto bem hoje, sem um peso de quatro anos e meio nas costas, leve e liberta para enfim continuar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Descansa Coração

Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão

Não sei pra onde vou
Não seiSe vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O passageiro ao lado

Viajar de ônibus já não é lá uma das coisas mais agradáveis e confortáveis nesse mundo. Ter alguém na poltrona ao lado, faz este momento se tornar ainda mais desagradável. Quando a viagem é para um local próximo, tudo bem. Mas enfrentar seis horas pela madrugada a fora com uma pessoa desconhecida é insuportavelmente chato.

Para uma pessoa neurótica como eu, a viagem deixa de ser monótona e acaba se tornando até um pouco tensa. Tensa sim. Quem me garante que o meu “vizinho” de poltrona não é um assaltante perigoso, um tarado ou qualquer outro tipo de mau elemento criminoso da sociedade? Pessoas com imaginação fértil, como a minha, pensam de tudo neste momento, não duvide.

Na madrugada da última terça para quarta-feira, entrei em um carro da viação Bel-Tour na cidade de Barra Mansa/RJ, e devido a minha demora para comprar a passagem fui obrigada a me sentar na poltrona do corredor e, achando que não teria algo pior que pudesse acontecer, sentei ao lado de um rapaz não muito apresentável e, para mim, um tanto quanto suspeito.

Mesmo odiando a situação tive de me assentar, afinal, o ônibus estava lotado e eu não tinha outra opção. E aí começou a paranóia. O bendito estava ao telefone, falando baixinho, virado para a janela. Deu pra perceber que ele não queria mesmo que eu ouvisse o que ele falava. “-Se ele for um assaltante, pode estar avisando aos comparsas que o ônibus está saindo da rodoviária, dando sinal para que eles esperem em algum ponto da rodovia e atualizando o plano”.

E pra dormir? Minha bolsa recheada com minhas coisas. Tá que dinheiro não tinha, mas e o apego material? E meu celular? E se ele tenta mexer enquanto durmo? Confesso: dormi atracada à bolsa, com um dos casacos por cima (dois sim, não entendo porque motoristas insistem em colocar o ar condicionado dos ônibus no máximo, mesmo em temperaturas amenas durante a madrugada), com a alça maior no ombro e uma das mãos segurando as alças menores. Paranóica? Eu?

Fora que devo ter implorado a Deus e a todos os santos existentes e inexistentes, para que o estranho vizinho descesse em alguma das cidades mais próximas. Resende, a primeira parada, foi minha primeira oração. Pouso Alto e assim por diante. Mas acredite, ele só desceu em Lavras, o meu destino.

Não que eu seja preconceituosa, mas malandro é malandro, mané é mané, né? E não vou ser eu quem vai vacilar! Rs No Rio de Janeiro, qualquer neguinho é bandido (branquinhos também, é só maneira de dizer) e ninguém está acima de qualquer suspeita. Fora que meu pai me passa tanto medo antes de viajar, que não tem como minha criatividade não aflorar.

O lado positivo disso tudo é que, mesmo com tanta criatividade, dormi como uma pedra. E a viagem passou mais rápido.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um gesto qualquer

Teve aquele tempo que ainda nem nos conhecíamos. Dias de "qualquer-um-serve" e drinques sofisticados pra brindar a rotina de viver com a impressão da morte sem que antes se veja tudo. Gente normal demais cansava, maus hábitos perpetuando-se, eram tempos de arregalar os olhos toda manhã e sacudir o desejo de querer sempre mais. O cartão de crédito e a saúde pagando juros abusivos sem o peito acompanhar a desforra.

A gente descansava as costas num muro gelado e olhava pra tudo. Não consigo viver sozinho, pronto falei. Doa-se coração - interessados, tratar comigo. De repente, amor. Assim, amor. Por acidente, amor. As mentiras das madrugadas dão lugar às verdades que decoro em plena insônia, pra dizer na sua orelha quentinha quando pela manhã você acordar com seu corpo junto ao meu.

Numa dessas, não lembro ter sentido tanto tesão em mil anos. Quando pareço sucumbindo, vem o sotaque moreno do seu cheiro lembrar do quanto sou paranoico, fraco e bobo. A luz da cidade invadindo a janela e tatuando a paisagem urbana em suas costas me faz tão bem. Sua calcinha branca, sem costuras e de menininha cheia de sonhos, sai fácil. Você é a personificação do pecado e por azar não mora ao lado. Com mais doses do seu corpo eu não usaria tantos cigarros fumaçando o som da Dave Matthews Band.

Mas não posso me dizer satisfeito. Embora também não possa dizer que não tente, a cada penetração. Nunca sei o ponto de parar, dormir, não pensar e velar teu sono solene, à luz amarelada dos postes na sua rua. Não sei o ponto de pausar minha ânsia de te amar. Ponto pra ti. Posso amá-la inteira, baseado em um centímetro de corpo, um medo externado, um gesto qualquer. Você é metonímia, pode toda ser significada por uma parte, pode ser a cartilagem molezinha embaixo do seu dedinho do pé. E é por isso que toda vez que você molda condescendente os olhos e a sobrancelhas escoltando um argumento meu, acredito um pouco mais no mundo. Tive sorte de encontrar alguém com suas caras de deboche.

E eu gosto de verdade, mesmo você se arriscando tanto me perder. Eu gosto de quando você dança sem me olhar, em festas free, com sua turma. Noutra ponta, taciturno, no vaivém de um beberico, te vejo. Doce de olhar, leve tal o vento em verões fora de época. Depois dali, relembro de como amar você e seus anéis de cabelo escuros, que parecem livres, posto que, se você é minha, teimo em não acreditar piamente nisso. Aí sorri, para e me procura um pouco. O silêncio no teu samba me pede pra voltar. Me impulsiono e volto. Te agarro de supetão e reavivo um punhado de anseios seus, no meio da pista. Você se joga em pedaços soltos, sempre testando meu engenho de pegá-la no ar. Tento crer que dou conta.

É legal brincar de não ter você, por alguns minutos. Olhar de longe e logo correr te abraçar. Não ter (tendo) e ter. São duas formas de encarar o mundo. Entendo que cada momento tem seu preço, prazo e recompensa. Reaprendo a aproveitá-los. Sempre que paro pra me ouvir, boto fé em nós. Ontem eu pensei seriamente em aceitar suas vírgulas, se você não encucar com minhas reticências. Quem sabe assim a gente permaneça cada dia mais perto e tão longe de um ponto final.

Gabito Nunes

Há algum tempo venho acompanhando os textos desse CarasComoEu e, na maioria, me sinto personagem destes textos. Com esse não foi diferente e, então, achei que seria interessante postá-lo aqui. O texto é todo dele, sem tirar, nem por, mas diz muita coisa que eu gostaria de dizer.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pra minha amiga nervosinha

Mi, Mimi, Mimigont, Pretinha, Preta, Pocahontas, curió, lesada... são muitas as maneiras de chamar essa minha amiga, e todas têm atreladas um carinho enorme. Minha amiga mais bravinha, que nunca leva desaforo pra casa; mais justa, que sempre luta pela igualdade e toma as dores de todos que a cercam; mais informada, sabe tudo que acontece e está sempre no lugar errado, na hora errada (é o contrário, eu confesso!rs) e, por isso, acabou se tornando a “Portadora da Má Notícia”, motivo de pânico quando nos chama no msn ou quando vemos chamada dela em nossos celulares. Quem é que não arrepia com o “beeeeem.. nem te conto!” da Michelle? Rs

E é por isso que hoje, neste dia tão especial, eu precisava te dizer mais do que parabéns, precisava mais do que desejar coisas boas. Primeiro queria agradecer por tudo que já passamos juntas. Por todas as vezes que precisei de uma palavra ou de um silêncio amigo, e você esteve ao meu lado. Por todas as vezes que você foi sincera e me disse tudo que achava. Por todas as vezes que eu precisava de uma companheira para cometer loucuras e você se dispôs. Por todas as vezes que descobrimos histórias mirabolantes e que você me defendeu de nossas “amigas” (hahaha). Por todas as vezes que brigamos, discutimos e fizemos as pazes, pois aprendi a aceitar as diferenças e opiniões contrárias. Obrigada por ter se tornado uma verdadeira amiga e não ter deixado o tempo e as circunstâncias nos afastarem.

Você se tornou uma mulher madura, batalhadora e hoje tem mais que meu carinho, tem minha admiração e meu respeito. Apesar de você sempre sonhar as coisas e sair falando (rs) e, mesmo sabendo que um dia você vai soltar certas informações sem querer, confio em você cegamente. Não sei exatamente o porquê, só sei que confio. Compartilhamos tantas opiniões e concordamos em tantas coisas, talvez seja por isso. Tenho sempre a necessidade de lhe contar as coisas que acontecem comigo e ouvir sua opinião, mesmo que em algumas vezes você a guarde e se manifeste somente com um: “faz o que você quer e não esquenta a cabeça!”. É bom saber que você sempre me apóia e nunca diz que já tinha me avisado.

Pretinha, toda vez que olho pra trás lembro do quanto fomos felizes juntas. Já passamos por tantas coisas, que hoje sempre me pego rindo sozinha das nossas histórias. Você fez parte de uma das fases mais maravilhosas de minha vida e, por mais que o tempo passe, eu nunca vou me esquecer! As voltinhas de carro quase furando a rua, as idas pra furnas, as barracas na lagoa, os gritos, as idas à Arcos, as festinhas, os “paióis”, as latas de lixo do banheiro, as músicas barangas (sua Baranguinha! Haha), os caderninhos, os segredos, os medos, os planos, as investigações, a cama quebrada na sua casa, os whiskys, a Absolut, as choradeiras, TUDO, tudo mesmo, me faz ver o quanto nossa amizade é especial e será pra sempre!

E no seu niver, eu não poderia deixar de lhe desejar toda a felicidade do mundo! Que você realize todos os seus sonhos, alcance todos os seus objetivos e tenha uma vida iluminada e abençoada por Deus! Paz, amor, saúde, harmonia, sucesso, hoje e sempre!
Amo você!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudade

Eu sempre soube que saudade doía. Aprendi cedo a conviver com esse sentimento com a perda da minha querida vovó e, depois sempre me vi cercada de saudade.

Era um amigo que partia, um namoradinho de uma cidade distante e, até mesmo, saudade dos dias que ficavam para trás. Saudade da inocência, da pureza e da beleza da infância. A saudade se tornou proporcional ao meu crescimento: quanto mais velha me tornava, mais saudade eu sentia. Mas, ao mesmo tempo, mais aprendia a conviver com esse sentimento. Mais eu sabia conviver com a vontade de ter certas coisas e pessoas de volta.

Mas hoje me sinto tomada por uma saudade que não cessa. É uma falta absurda de pessoas que nunca imaginei conhecer, mas que compartilhei os melhores anos de minha vida. Foram quatro anos de amizade, respeito, carinho, admiração, confiança e uma harmonia inexplicável que nos une até hoje.

Como já disse Clarice (É, a Lispector... é que sou íntima!rs), sinto a falta delas como se me faltasse um dente na frente: excrucitante. Sinto falta de todos os detalhes: das voltinhas nos corredores, das conversas infinitas, dos conselhos, das crises de riso, das brigas, das cantorias, do veneno que escorria, dos apelidos engraçados, das conversas inúteis, das coisas bobas, das manhãs de sábado cheias de ressaca, das olheiras, das voltinhas de carro, dos apelidos úteis, das voltinhas de van e até mesmo das voltinhas a pé, das festas, das bebedeiras, das choradeiras, dos desabafos, dos casos engraçados, dos fiascos, enfim, das histórias que contaremos para nossos netos.

Tenho saudade da psicopatia da Marielly, sempre neurótica, sempre em dúvida e sempre achando que todos queriam lhe fazer mal. Tenho saudade da falta de responsabilidade da Cheyane, do cheiro de fumaça e das conversas no buteco que sempre rendiam. Sinto falta da alegria da Guardinha e de ouvir seus jargões engraçados. Sinto falta até do mau humor da Purunguinha, ops! Daniela Takahashi e da Renata Cristina sempre me imitando. Até o enjuamento atleticano dessa Renata me faz falta.

Passamos por tantos momentos juntas. Compartilhamos tantas histórias, tantos segredos e tantos sentimentos, que sete meses após nossa ‘separação’ ainda não consegui me acostumar. O convívio diário me deixou mal acostumada e quem dera se conseguíssemos nos encontrar pelo menos uma vez por semana. Ta, tudo bem, to pedindo muito. Uma vez por mês já seria ótimo.

O bombardeio de e-mails todos os dias supre um pouco a falta e dá continuidade à amizade que construímos, mas não diminui a saudade que sinto. Ninguém mais é como elas, nenhuma amizade se compara. Não que elas tenham substituído amizades antigas, mas elas conquistaram um espaço nunca atingido por ninguém.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sem assunto.

Ociosidade = vontade de escrever.

Mas hoje estou sem tema, sem inspiração, sem necessidade. Só estou com vontade. E isso parece não estar sendo suficiente.

Tá. Então vamos falar de qualquer assunto. São 16h22 de uma sexta-feira 13 no mês de agosto e isso soa um pouco maquiavélico. Algo assim, monstruoso e talvez até incompreensível. Talvez seja por isso que recebi uma ligação às 03h30 da madruga que só pude ver hoje, quando acordei para trabalhar.

E sabe o que foi mais espantoso? Não, não foi a ligação. Foi o meu arzinho sonso, bobo e feliz ao ver a chamada. O riso incontido no cantinho da boca e a vontade de retornar naquela mesma hora e dizer: - Oi? Você me ligou? (quando na verdade a vontade era de dizer: - Que bom que você ligou! Esperei por isso a noite toda!)

É completamente sem explicação como não consigo parar de lembrar da ligação. Como todos os assuntos acabam sempre comigo contando toda cheia de mim da ligação perdida. Me sentindo verdadeiramente a última bolacha do pacote, a última coca-cola do deserto.

Consegui até esquecer que hoje começa o VR Folia na maldita Volta Redonda, residência da musa da beleza interior, que tanto assombra minha vida. E quer saber? Eu nem quero mesmo pensar nisso! Só consigo pensar no momento em que vou enfim retornar a ligação e, claro, tentando ser durona dizer não o que eu queria, mas o que eu preciso (?) dizer.

E a expectativa é ainda maior já que a folga garantida desde o início da semana e omitida, será enfim revelada. Ta. Aqui posso confessar que isso causa um certo medinho! Rs Afinal de contas, não sei qual será a reação. Tenho medo do convite ter sido da boca pra fora, mas será? Foi repetido tantas vezes, com um ar tão sincero, não parecia ser falso.

Por que a gente sempre tem de pensar no lado negativo das coisas? Isso atrai, sabia? (Lembrei da reunião com a Priscila e ela falando sobre O Segredo. rs) Então vou respirar fundo antes de ligar, bolar um plano e dar a notícia. (Pensei tanto nesse plano que até esqueci de contar que vi um colchão amarrado em cima de uma moto que parecia muito uma placenta. Fiquei confusa se era o colchão ou a placenta, mas acho que eram as duas coisas. É uma pena, é feio eu dizer isso, mas me deu uma vontade súbita de soltar uma gargalhada e dizer, para que ela visse do retrovisor, você é ridícula! Mas me controlei.)

Voltando ao foco... (pra quem não tinha assunto né?) Faltam poucos minutos pra eu ir embora (parei de escrever pra tomar café e pra conversar com a psicopata Marielly Martins, dando dicas de suicídio, pra ela, não pra mim.). E depois de fazer as coisas que ainda tenho de fazer, farei a tal ligação. Sim, sem planos. Porque no fim das contas, as coisas nunca saem mesmo como planejadas.

Trilha sonora: Jeito Moleque – 5 elementos. (Perdi a conta de quantas vezes escutei esse CD hoje, vontade reprimida pra Girus? Indecisão que me acompanha, sempre!)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Feliz, sim

Ao som de Los Hermanos deu vontade de escrever...

Na verdade, vontade já tive há alguns dias, mas faltou tempo pra isso. Dessa vez eu juro que não faltou disposição, foi só tempo mesmo. (No último post eu já havia dito que estava trabalhando MUITO, né? Rs)

Desde ontem não tenho andado muito legal. Acho que depois que passaram todos os eventos e que tudo parece estar querendo se acalmar, desmoronei. Sabe? Entrou em erupção todo o estresse, todo nervosismo e toda a vontade de matar alguém (alguém já definido, por sinal).

Por outro lado alguns conflitos internos parecem estar sendo resolvidos. Estou orgulhosa de mim mesma por alguns resultados, e por mais estranho que possa parecer, estou orgulhosa de mim por ter desistido de desistir de certas coisas. E acabei me descobrindo mais forte (e mais insistente também).

Mas, apesar do cansaço, da preguiça de certas coisas e pessoas, da falta de paciência pra burrice alheia, pra raiva de pessoas falsas, posso dizer que hoje estou FELIZ. Feliz sim. Descobri que trabalho com o que realmente gosto de fazer. Sim, é desgastante e muitas vezes tenho fortes dores de cabeça, mas é o que eu gosto e tenho prazer em fazer.

Relembrei (é, porque isso eu já tinha descoberto há muito tempo) que tenho uma família maravilhosa, que me apóia e torce sempre pelo meu melhor, e que também tenho amigas sinceras e verdadeiras, que nem o tempo, nem a distância vão nos afastar. (Isso supera completamente a decepção com novas amizades).

E descobri também que tenho um amor puro e completo. Um amor sim. Que passa por momentos de tempestades, mas também tem horas de calmaria. Um amor que me decepciona, que machuca, que maltrata, que me faz chorar, que deixa saudades, que me faz sonhar, que me faz sorrir, que me faz fazer planos e que me faz sentir a mulher mais amada do mundo.

E de nada adianta alguém tentar me convencer do contrário. De nada adianta alguém tentar nos separar, porque no final a gente sempre se encontra. Hoje tenho mais do que certeza do que sinto e do quanto esse amor me faz bem, e é por isso que não tenho mais a menor vontade de desistir, de deixar pra trás e deixar morrer.

Se a falência tem solução, por que é que com as relações seria diferente? Não acredito que o amor não possa se reerguer e que as pessoas não possam voltar a ser felizes. Eu gosto é do gasto, do estrago e, principalmente, de reverter situações. Estou feliz sim. E vou continuar lutando para que essa felicidade só aumente, cada dia mais.

(Parei de escrever por diversas vezes para resolver questões do trabalho mas, em uma dessas vezes, foi só pra ler o texto novo do Gabito, publicado no blog Caras como Eu. E posso dizer que, mais uma vez, esse texto descreve como me sinto. Dessa vez me coloco dos dois lados: como autor e personagem. E talvez isso explique um pouco a minha felicidade.
http://www.carascomoeu.com.br/2010/03/cuidar-de-voce.html )

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Planejando não planejar

Trabalhando MUITO, com dores e trabalhando MUITO de novo. Essa é a resposta pra quem pergunta por mim. Ultimamente meus dias têm sido assim. Trabalho, casa, trabalho, trabalho, casa, pensamento no trabalho, sono acumulado. Ah! E claro que durante todos estes momentos ela está presente. Sim, ela: a dor! Não é dessa dor que vocês estão pensando que estou dizendo, mas da dor estranha na barriga que arrumei nos últimos dias (bom, daqui há algumas horas essa dor completará uma semana de existência).

Tenho certeza que algumas pessoas vão dizer: “- Ótimo! Pelo menos você não tem tempo pra pensar em certas bobagens (rs).” Mas tudo bem, eu nem vou me dar ao trabalho de responder, porque assim como eu queria realmente não ter tempo pra isso, eu também não quero falar sobre esse assunto. Ponto final.

Tenho me avaliado muito nos últimos dias e, acho que pela primeira vez nessa minha vidinha tenho me sentido mais responsável, mais determinada e compromissada com as minhas coisas. E ÓBVIO que isso me assusta, e muito! Penso sempre nas coisas que já estão mudando e nas coisas que ainda vão mudar e não sei se realmente quero que tudo isso aconteça. (Não precisa me dizer que é a ordem natural das coisas e que eu não posso fazer nada para mudar isso, eu já sei! Mas poxa! Eu queria poder ter pelo menos o controle dessa situação.)

Não ter certeza de algumas coisas me dá medo. E eu nem ligo se você me chamar de medrosa, eu sempre fui e nunca neguei isso a ninguém. Mas, de qualquer maneira, não pense que por ter medo eu desistirei de tentar. Não se engane, e muito menos se iluda com isso. Além de me ver mais responsável, estou ainda mais batalhadora e com o desejo de conquistar, ir além. E tenha certeza que não tenho medido esforços para alcançar meus objetivos.

Tracei muitos planos para mim e, apesar de não querer falar sobre o principal, posso dizer que um deles é este: chegar onde sei que posso e me tornar uma das pessoas mais realizadas que já conheci.

Pode ser que demore, mas não tem problema. Andei treinando minha paciência e estou começando a aprender a esperar. E depois de cumprir estes planos, vou parar de planejar, viver a vida como ela quiser ser e deixar tudo acontecer... Mas acho que assim já estou fazendo outro plano, né?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Enfim, criei coragem

A coragem demorou para aparecer, mas cá estou para enfim desabafar.

Prestes a comemorarmos 4 anos e 6 meses de história, de muita história na verdade, talvez seja realmente a hora de te dizer estas coisas.

É em respeito a essas muitas histórias que acredito ter chegado o momento de realmente dizermos adeus. Diz o poeta que sempre devemos entender quando é chegado a hora de fecharmos ciclos, virar a página. É bobagem insistir em uma situação terminada, principalmente em relações falidas.

Dói muito pensar que isso aconteceu. Conseguimos nos perder pelo caminho, conseguimos deixar o tempo, a distância e as adversidades vencerem aquele sentimento que existia e que nós, tolos, insistimos em dizer que ainda vive.

“Há gente que volta a um amor pra terminar o trabalho e estragar as boas lembranças”, e eu sinceramente não quero que isso aconteça entre nós. Só de coisa boa eu vivo, e quero continuar assim.

Busco explicações pro nosso fracasso, principalmente para o meu erro, por ter conseguido te perder. Mas a partir de agora decidi que não vou mais fazer isso, até porque durante todo este tempo nada descobri e tenho certeza que se continuar procurando, nada vou encontrar.

Hoje eu só preciso dizer que amo você, mas também tenho o direito de me amar e de querer seguir em frente. Eu só não sei como fazer isso, mas talvez o tempo me ensine.

Enquanto isso, vou continuar fingindo que sou forte, que não me importo, que não sinto sua falta. Vou continuar fingindo para os outros, mas principalmente para mim mesma, pois mais do que convencer a todos, preciso conseguir me convencer de tudo isso.

Continuarei fazendo de conta que não penso em você, que não tenho vontade de conversar, de estar ao seu lado e de ouvir você dizer que me ama. Preciso aprender a não te querer, assim como você talvez já tenha aprendido...

Mas também preciso confessar que tudo ao meu redor me faz lembrar você: músicas, textos, frases, casos, fotos, viagens. Tudo me lembra as coisas boas que já vivemos e o quanto você já me fez feliz.

Mas como depois da calmaria, sempre vem a tempestade, me vêem a memória o quanto estamos destruindo essas recordações. Minhas lamentações, minha falação e a necessidade de sempre tocar em assuntos do passado. Sua falta de paciência, suas piadinhas sem graça e a necessidade de sempre tocar na minha ferida. É, realmente não dá mais.

Há algum tempo espero o dia em que nos entenderíamos de novo. Sonho com nossa reconciliação, com um futuro juntos e felizes. Mas acho que isso tudo vai continuar sendo pra sempre um sonho, uma vontade reprimida, uma ideia platônica.
Só posso dizer mais uma vez que AMO MUITO VOCÊ e vou sofrer toda vez que imaginar alguém ao seu lado, ocupando o meu lugar na cama, falando tudo que eu te disse, ouvindo coisas que eu queria estar ouvindo e vivendo uma história que eu quis tanto viver.

Vou sentir saudades, mas vou guardar as boas lembranças pra ocupar estes momentos.

Mas dói mais ainda saber que você vai ler tudo isso e dizer: “Ta. Tudo bem. Você quem sabe.”

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Saúde. Amém. Perto de mim não tem ninguém.

Eu odeio espirrar, assim como odeio o fato de que nos últimos dias não tive tempo e muito menos disposição para escrever aqui. Tá, eu confesso, foi menos disposição e vontade do que tempo que me faltaram, maaaassss...

O mês de junho acabou. Acabou meu inferno astral, mas a turbulência não deu lugar à calmaria. E eu até hoje não consegui entender o por que disso. "Eu não sei se é saudade ou o costume de pensar em você!" E estou até hoje refletindo sobre esse assunto. Ou não. Decidi parar de pensar, mas é uma pena que meu coração e minha mente aprenderam a não me obedecer.

Acho que voltei pra uma fase boa da vida. Revivendo momentos parecidos com alguns de 2008, quando conheci os presentes de minha vida. rs Mas eu jurava que tudo isso tinha passado e eu realmente não sei se estou vivendo por vontade ou se o vento ta me tocando... É, mas pelo menos eu me divirto. E enquanto isso eu me distraio e esqueço de pensar em certas coisas que to tentando esquecer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ainda dói.

Mesmo depois de três meses, entrar naquela casa não foi fácil. Além de ela estar vazia, também senti um vazio enorme dentro de mim. O quarto sem a cama, o sofá sem sua presença, o cheiro de casa limpa, sua foto em cima da mesa. Doeu muito. E eu não esperava que fosse tanto assim.

É por isso que hoje vou postar este texto que fiz há três meses atrás, mas que acho que ainda se encaixa nos dias de hoje...

São onze anos sem você. Sem seus carinhos, sem seu sorriso, sem sua presença, sem seus abraços mais do que confortadores, sem suas brincadeiras, beliscões, gargalhadas... São onze anos com uma dor que não passa, que sufoca sempre mais e que parece que nunca vai deixar de existir.

Um dia me disseram que o tempo cura tudo. Mas esqueceram de me avisar que mesmo depois de curadas, algumas dores nos acompanharão eternamente. É verdade que parte desta dor se transforma em saudade e que as boas lembranças ajudam a confortar. Mas também é verdade que nem assim o vazio no peito passa e a vontade de estar perto também não diminui.

Se antes já era difícil, agora é impossível que este dia não seja de tristeza, saudade e melancolia. “Metade” de você ainda vivia comigo. Essa sua metade passou a receber toda a minha confiança, todos os carinhos, toda a atenção que eu já não mais podia lhe dar.

E hoje me vejo sozinha. Sem você e sem a sua metade, que agora está junto de ti novamente. Estou tentando, mas não consigo imaginar minha vida sem a sua presença, mesmo que sendo pela metade. E a única certeza que tenho agora é a de que a dor vai ser ainda maior. As feridas foram reabertas, estão de volta as tristezas, o medo e a insegurança.

Mas no fundo escuto uma voz. É você tentando acalmar meu coração, tentando fazer com que eu entenda o que aconteceu, querendo me convencer que já era hora de você e sua metade se reencontrarem. Sua metade também fala. Diz que eu não estou sozinha e que juntos, vocês continuarão zelando por mim, acompanhando todos os meus passos, torcendo por minhas vitórias e comemorando minhas conquistas.

De alguma maneira eu acredito. Tenho certeza que nem você, nem sua metade me abandonarão e me sinto na obrigação de continuar, tocar em frente pra poder lhes encher de orgulho.

E espero pelo dia em que nos encontraremos de novo... Eu, você e sua metade. E seremos novamente uma família.

Vó Maria e Vô Bembém, amo vocês!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Parabéns, amiga!

Depois de quatro anos essa é a primeira vez que não vou poder te dar um abraço de parabéns e dizer que lhe desejo muitas coisas especiais em sua vida. Não vamos fazer festinha na sua casa e ver o general nos deixar beber, mas não deixar você. Nem vamos dar manotas e mais manotas falando besteiras sem nos lembrar que seu pai está em casa. Não vamos tirar a tradicional foto no banco e nem brincar com os brinquedos dos seus primos. Não vamos ficar impressionadas com o silêncio dos seus inúmeros cachorros (a Pandora sozinha faz muuuito mais barulho que eles, rs).

E é por isso que decidi escrever esse depoimento. Pra dizer que hoje eu sinto ainda mais falta de tudo isso. Mas, que mesmo distantes, eu ainda continuo lhe desejando todas aquelas coisas clichês que todo mundo sempre nos diz no nosso aniversário e, mais ainda, que estou aqui torcendo sempre por você. Pelo seu sucesso, pela realização dos seus sonhos e pela concretização dos seus planos.

Criamos um laço forte e, sem dúvidas, ao mesmo tempo, duradouro. E mesmo que hoje não possamos comemorar seu aniversário com festinha, comemoraremos mesmo que em pensamento. Relembrando tudo que já fizemos, falamos, rimos, choramos. Minha memória profunda guardará estes momentos para sempre, não há como deletar.

Eu amo você e hoje, neste dia tão especial, primeiro agradeço à Deus por ter colocado você no meu caminho. Eu realmente precisava de alguém que me imitasse, me irritasse com os detalhes futebolísticos, que me contasse histórias que pareciam mais fantasiosas que verídicas, que fosse divertido brigar e que se tornasse uma verdadeira amiga.

Depois disso, te dou os Parabéns! Desejo um Feliz Aniversário! Repleto de mudanças, de vitórias e de muita satisfação. Sucesso, saúde, felicidade, paz, amor, harmonia, equilíbrio e juízo. Muito juízo, porque hoje a gente realmente precisa. Rs

E por mais que eu não possa te dar um abraço, tenha certeza que mesmo de longe estarei sempre aqui. SEMPRE e pra tudo!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Voltei.

Não. Não é da música do Molejão que estou falando. Voltei pra cá. Voltei a escrever. Comecei a freqüentar sempre outros blogs e ler os posts me fez lembrar que além de gostar de ler, também me agrada muito escrever.

O tempo hoje é ainda MAIS corrido do que o tempo dos últimos posts. A monografia acabou (Passei com 95 pontos, se é que isso interessa e esclarece certas informações divulgadas na mídia formiguense. Ta. Tudo bem. Eu realmente adoro incomodar! Rs), e a faculdade também. Hoje sou uma jornalista (tive de atualizar o perfil), assessora de comunicação da ACIF, CDL e Sicoob Centro-Oeste.

Os problemas a que eu me referi? Hahaha... Não são nada se comparados aos de hoje. Tive de mudar minha postura do dia pra noite. Festas, bebedeiras, fiascos alcoólicos, são agora apenas lembranças (que deixaram saudade, inclusive). Me preocupo com a imagem, postura, comportamento. Com quem está por perto, quem olha, com as paredes que têm ouvidos.

Hoje perdi minha melhor amiga. Ta, exagerei. Mas não a tenho mais aqui ao meu lado a qualquer hora, em qualquer lugar, a qualquer circunstância. Havíamos jurado amizade eterna. Combinamos de nos levar ao altar e seríamos madrinhas dos nossos filhos. Ela me disse que estaria sempre aqui, que era só ligar que ela vinha correndo. Foi sempre pra ela que corri pra contar meus problemas, e foi ela quem esteve ao meu lado nas situações mais difíceis que já enfrentei.

Eu tinha certeza que nos separaríamos somente no dia em que a hora do altar chegasse. Mas o destino optou por nos pregar uma peça bem no meio do caminho. E neste momento só consigo pensar no que vai ser de mim sem ela aqui?
Pra quem vou pedir conselhos? Quem vai me dizer não o que eu quero ouvir, mas sim o que eu preciso ouvir? Quem vai me dizer que vai estar ao meu lado sempre e que entende tudo que eu estou sentindo? Quem vai apelidar todas as pessoas desinteressantes e me fazer dar gargalhadas com a incrível capacidade de falar inúmeras bobagens por minuto? Quem vai ser neurótica, psicopata e compartilhar do mesmo vício de arrancar cabelos que eu?
São quase 20 anos de amizade. Temos mais que histórias para contar, temos planos para concretizar, sonhos a realizar. “Não há memória em que não apareça, nem lembrança em que ela não esteja”. E não consigo acreditar que teremos mesmo de nos separar.

Mas, assim como o poeta, eu “espero que o tempo voe, para que você retorne, pra que eu possa te abraçar”. Porque e sei que é isso que vai acontecer. Por maior que seja a distância, estaremos sempre juntas. E, mesmo que seja só no dia do altar, tenho certeza que a gente ainda vai se encontrar e vamos continuar de onde paramos. Realizaremos nossos sonhos, concretizaremos nossos planos e teremos a certeza de que nosso laço é muito mais forte que qualquer adversidade. Riremos do passado, relembraremos histórias que nos marcaram para sempre e, principalmente, continuaremos planejando nosso futuro, SEMPRE JUNTAS.

A saudade já dói. Mas eu sei que “o acaso vai nos proteger, enquanto andarmos distraídas” e mesmo distante, você está aqui; em minhas memórias, no meu pensamento e no coração. Jamais esquecerei o quanto você se fez importante e especial; o quanto fomos felizes e nos divertimos juntas, nossas viagens, bebedeiras, conversas eteeeernas, cheias de detalhes, nossas fofocas, nossos choros e sorrisos e, principalmente, essa amizade forte e duradoura que construímos juntas.

São semanas que parecem anos. E por mais que mantenhamos contato sempre, parece que não conversamos há uma eternidade. Queria poder olhar pra você agora e te chamar de Mielly Silva Martins, Maricleide, Mari, Vaquinha, Cobra Felina... AMIGA. Queria poder compartilhar as coisas que andam acontecendo. Ouvir seus conselhos e bolar planos mirabolantes.

Eu sei que não posso... Então, fico só na saudade.