terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudade

Eu sempre soube que saudade doía. Aprendi cedo a conviver com esse sentimento com a perda da minha querida vovó e, depois sempre me vi cercada de saudade.

Era um amigo que partia, um namoradinho de uma cidade distante e, até mesmo, saudade dos dias que ficavam para trás. Saudade da inocência, da pureza e da beleza da infância. A saudade se tornou proporcional ao meu crescimento: quanto mais velha me tornava, mais saudade eu sentia. Mas, ao mesmo tempo, mais aprendia a conviver com esse sentimento. Mais eu sabia conviver com a vontade de ter certas coisas e pessoas de volta.

Mas hoje me sinto tomada por uma saudade que não cessa. É uma falta absurda de pessoas que nunca imaginei conhecer, mas que compartilhei os melhores anos de minha vida. Foram quatro anos de amizade, respeito, carinho, admiração, confiança e uma harmonia inexplicável que nos une até hoje.

Como já disse Clarice (É, a Lispector... é que sou íntima!rs), sinto a falta delas como se me faltasse um dente na frente: excrucitante. Sinto falta de todos os detalhes: das voltinhas nos corredores, das conversas infinitas, dos conselhos, das crises de riso, das brigas, das cantorias, do veneno que escorria, dos apelidos engraçados, das conversas inúteis, das coisas bobas, das manhãs de sábado cheias de ressaca, das olheiras, das voltinhas de carro, dos apelidos úteis, das voltinhas de van e até mesmo das voltinhas a pé, das festas, das bebedeiras, das choradeiras, dos desabafos, dos casos engraçados, dos fiascos, enfim, das histórias que contaremos para nossos netos.

Tenho saudade da psicopatia da Marielly, sempre neurótica, sempre em dúvida e sempre achando que todos queriam lhe fazer mal. Tenho saudade da falta de responsabilidade da Cheyane, do cheiro de fumaça e das conversas no buteco que sempre rendiam. Sinto falta da alegria da Guardinha e de ouvir seus jargões engraçados. Sinto falta até do mau humor da Purunguinha, ops! Daniela Takahashi e da Renata Cristina sempre me imitando. Até o enjuamento atleticano dessa Renata me faz falta.

Passamos por tantos momentos juntas. Compartilhamos tantas histórias, tantos segredos e tantos sentimentos, que sete meses após nossa ‘separação’ ainda não consegui me acostumar. O convívio diário me deixou mal acostumada e quem dera se conseguíssemos nos encontrar pelo menos uma vez por semana. Ta, tudo bem, to pedindo muito. Uma vez por mês já seria ótimo.

O bombardeio de e-mails todos os dias supre um pouco a falta e dá continuidade à amizade que construímos, mas não diminui a saudade que sinto. Ninguém mais é como elas, nenhuma amizade se compara. Não que elas tenham substituído amizades antigas, mas elas conquistaram um espaço nunca atingido por ninguém.

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