quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O passageiro ao lado

Viajar de ônibus já não é lá uma das coisas mais agradáveis e confortáveis nesse mundo. Ter alguém na poltrona ao lado, faz este momento se tornar ainda mais desagradável. Quando a viagem é para um local próximo, tudo bem. Mas enfrentar seis horas pela madrugada a fora com uma pessoa desconhecida é insuportavelmente chato.

Para uma pessoa neurótica como eu, a viagem deixa de ser monótona e acaba se tornando até um pouco tensa. Tensa sim. Quem me garante que o meu “vizinho” de poltrona não é um assaltante perigoso, um tarado ou qualquer outro tipo de mau elemento criminoso da sociedade? Pessoas com imaginação fértil, como a minha, pensam de tudo neste momento, não duvide.

Na madrugada da última terça para quarta-feira, entrei em um carro da viação Bel-Tour na cidade de Barra Mansa/RJ, e devido a minha demora para comprar a passagem fui obrigada a me sentar na poltrona do corredor e, achando que não teria algo pior que pudesse acontecer, sentei ao lado de um rapaz não muito apresentável e, para mim, um tanto quanto suspeito.

Mesmo odiando a situação tive de me assentar, afinal, o ônibus estava lotado e eu não tinha outra opção. E aí começou a paranóia. O bendito estava ao telefone, falando baixinho, virado para a janela. Deu pra perceber que ele não queria mesmo que eu ouvisse o que ele falava. “-Se ele for um assaltante, pode estar avisando aos comparsas que o ônibus está saindo da rodoviária, dando sinal para que eles esperem em algum ponto da rodovia e atualizando o plano”.

E pra dormir? Minha bolsa recheada com minhas coisas. Tá que dinheiro não tinha, mas e o apego material? E meu celular? E se ele tenta mexer enquanto durmo? Confesso: dormi atracada à bolsa, com um dos casacos por cima (dois sim, não entendo porque motoristas insistem em colocar o ar condicionado dos ônibus no máximo, mesmo em temperaturas amenas durante a madrugada), com a alça maior no ombro e uma das mãos segurando as alças menores. Paranóica? Eu?

Fora que devo ter implorado a Deus e a todos os santos existentes e inexistentes, para que o estranho vizinho descesse em alguma das cidades mais próximas. Resende, a primeira parada, foi minha primeira oração. Pouso Alto e assim por diante. Mas acredite, ele só desceu em Lavras, o meu destino.

Não que eu seja preconceituosa, mas malandro é malandro, mané é mané, né? E não vou ser eu quem vai vacilar! Rs No Rio de Janeiro, qualquer neguinho é bandido (branquinhos também, é só maneira de dizer) e ninguém está acima de qualquer suspeita. Fora que meu pai me passa tanto medo antes de viajar, que não tem como minha criatividade não aflorar.

O lado positivo disso tudo é que, mesmo com tanta criatividade, dormi como uma pedra. E a viagem passou mais rápido.

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