Eu sempre soube que nada nessa vida é eterno, que tudo um dia tem fim. Mas há um ano eu me via lutando compulsivamente contra o fim de uma história que eu desejava fortemente que fosse eterna. O tal destino, sina, príncipe encantado, conto de fadas, chame do que quiser, eu só queria que fosse infinito.
Comecei a acreditar em mentiras nada sinceras e, pior que isso, comecei a criar e acreditar nas minhas próprias mentiras. Justificava erros injustificáveis, aceitava explicações que nada explicavam e acreditava que aquilo realmente era o suficiente.
Por alguns momentos eu até conseguia perceber esta situação, mas preferia continuar a sombra da mentira, escondida ali, sem correr riscos desconhecidos. Mas um dia cheguei ao limite. Sem escutar os conselhos alheios, sem qualquer situação desconfortável, sem brigas, sem discussões. Eu simplesmente entendi que o fim havia chegado. E mais, ele havia chegado há muito tempo, e eu não quis acreditar.
Não foi fácil. Não é fácil. Foram dias lutando contra mim mesma, querendo encontrar a tal luz no fim do túnel. Mas quanto mais eu procurava, mais distante essa luz parecia estar e, então, não tive outra alternativa a não ser aceitar.
Ok. Acabou. Eu me feri, me magoei e me senti uma das pessoas mais fracassadas deste mundo. Incapaz de tornar um desejo real. E por mais que eu tentasse impedir, um filme passava pela minha cabeça. Lembranças do seu cheiro, do seu toque, do seu carinho, das nossas conversas sinceras, das palavras de amor, das histórias para contar pros netos, de como você nunca conseguia mentir, das suas bobagens, da sua atenção e preocupação com meus problemas, das viagens, do primeiro encontro, o segundo, o vigésimo e o último. E minha memória revivia também os momentos trágicos, de brigas, discussões, mentiras e da falta de respeito mútua. E eu que teimava quando me diziam que nós já havíamos perdido o respeito.
E assim eu consegui finalmente aceitar que era o fim. Que de nada mais adiantaria adiar este momento. E que o melhor a se fazer era mesmo colocar um ponto final, sem reticências nesta linda e trágica história. Mas, mais difícil que aceitar o fim, foi saber como agir depois disso. O que falar, o que fazer, como me comportar depois que a decisão havia sido tomada. Como fingir que eu estava bem, que meu coração não doía e que as coisas estavam como eu realmente queria? Essa foi mesmo a parte mais difícil e, hoje, tenho a certeza de que foi aí que mais falhei. Eu não soube disfarçar e não soube evitar o clima.
As lágrimas me impediam de falar qualquer coisa e a solução que encontrei foi o bilhete. A música que eu tanto gostava e que, hoje, consegue fazer com que eu me sinta o pior e mais fracassado dos seres humanos. Mas, como aquele verso mesmo diz: “Tenho que aceitar; caberá, ao nosso amor o eterno, não dá”.
Não vou dizer que a dor passou. Não vou dizer que superei todos os meus medos e toda a minha decepção, mas, hoje, eu aceitei e sei que foi o melhor para nós, principalmente para mim. Sim, sem nenhuma dúvida, foi o adeus mais difícil, mas de maior alívio que já dei.
E que ninguém pense que a felicidade estampada no rosto hoje é falsa, pois ela não é. Independente de qualquer coisa, me sinto bem hoje, sem um peso de quatro anos e meio nas costas, leve e liberta para enfim continuar.
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