quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais um dia difícil

Hoje foi um daqueles dias. Daqueles difíceis dias em que eu não sei o que fazer. Mas a gente já sabia que isso ia acontecer, não é mesmo?

Perdi a conta de quantas vezes me questionei, somente hoje, se minto mais para mim ou para os outros. E confesso que, prestes a me deitar, ainda não encontrei a resposta.

Mas preciso assumir a mim mesma que não agüento mais o silêncio do meu celular, não agüento a ausência da sua presença. Eu ia sumir, mas você não precisa ter levado isso tão a sério! Eu ainda não te disse todas as grosserias que eu havia planejado. Eu ainda não me fiz de a rebelde resolvida pra ver você implorando meu perdão. Eu anda não vi você fazer metade das coisas que eu esperei que você fizesse.

E sim, é isso que mais me dói. O seu conformismo machuca. E é tanta dor que não há como esquecer.

Mas eu odeio você! Eu odeio esse seu jeito imperfeito de quem não tem o menor medo de me perder. Eu odeio a sua segurança. Odeio tudo! Mas já ouviu falar que amor e ódio andam juntos? (Foram exatamente estas palavras que eu usei na nossa última conversa.)

Mais que a ti, odeio a mim. Odeio ser fraca e desistir tão fácil. Odeio ser a melhor conselheira para minhas amigas, mas ao mesmo tempo ter a certeza de que estou falando mais para mim do que para elas. Me uso como exemplo. Orgulho-me do fato de não estar azucrinando ninguém com minhas lamentações, como se fosse uma das coisas mais bonitas do mundo sofrer sozinha.

Mas quem foi que disse que estou sofrendo? Não admito isso nem a mim mesma. Estou resolvida, esqueceu? E nada, nem ninguém vai me fazer voltar atrás.

Eu já não procuro explicações. Já não deixo mais filmes passarem pela minha cabeça. Eu não procuro informações. Eu não demonstro carinho. Não falo sobre lembranças. Não faço planos. E o pior é que isso tudo não se refere só a nós. Isso se refere à minha vida toda. Já não desejo mais, já não sonho mais. Estagnei. Parei no tempo enquanto vejo essa crise passar. E acompanho tudo de um camarote vip com convites esgotados.


Texto escrito na noite da última terça-feira, ao som de Janta – Marcelo Camelo e Malu Magalhães.

Há tanto tempo eu não escrevia tão rápido. Maldita hora em que resolvi entrar naquela locadora. Maldito filme de romance.
“As pessoas erram. Até mesmo as pessoas que amamos.”

Nenhum comentário: