Mesmo depois de três meses, entrar naquela casa não foi fácil. Além de ela estar vazia, também senti um vazio enorme dentro de mim. O quarto sem a cama, o sofá sem sua presença, o cheiro de casa limpa, sua foto em cima da mesa. Doeu muito. E eu não esperava que fosse tanto assim.
É por isso que hoje vou postar este texto que fiz há três meses atrás, mas que acho que ainda se encaixa nos dias de hoje...
São onze anos sem você. Sem seus carinhos, sem seu sorriso, sem sua presença, sem seus abraços mais do que confortadores, sem suas brincadeiras, beliscões, gargalhadas... São onze anos com uma dor que não passa, que sufoca sempre mais e que parece que nunca vai deixar de existir.
Um dia me disseram que o tempo cura tudo. Mas esqueceram de me avisar que mesmo depois de curadas, algumas dores nos acompanharão eternamente. É verdade que parte desta dor se transforma em saudade e que as boas lembranças ajudam a confortar. Mas também é verdade que nem assim o vazio no peito passa e a vontade de estar perto também não diminui.
Se antes já era difícil, agora é impossível que este dia não seja de tristeza, saudade e melancolia. “Metade” de você ainda vivia comigo. Essa sua metade passou a receber toda a minha confiança, todos os carinhos, toda a atenção que eu já não mais podia lhe dar.
E hoje me vejo sozinha. Sem você e sem a sua metade, que agora está junto de ti novamente. Estou tentando, mas não consigo imaginar minha vida sem a sua presença, mesmo que sendo pela metade. E a única certeza que tenho agora é a de que a dor vai ser ainda maior. As feridas foram reabertas, estão de volta as tristezas, o medo e a insegurança.
Mas no fundo escuto uma voz. É você tentando acalmar meu coração, tentando fazer com que eu entenda o que aconteceu, querendo me convencer que já era hora de você e sua metade se reencontrarem. Sua metade também fala. Diz que eu não estou sozinha e que juntos, vocês continuarão zelando por mim, acompanhando todos os meus passos, torcendo por minhas vitórias e comemorando minhas conquistas.
De alguma maneira eu acredito. Tenho certeza que nem você, nem sua metade me abandonarão e me sinto na obrigação de continuar, tocar em frente pra poder lhes encher de orgulho.
E espero pelo dia em que nos encontraremos de novo... Eu, você e sua metade. E seremos novamente uma família.
Vó Maria e Vô Bembém, amo vocês!
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