segunda-feira, 27 de junho de 2011

Que seja!

A gente faz promessas que nem sempre pode cumprir. Jura de pés juntos que não vai repetir certos erros ou que não vai agir novamente de determinada maneira, mas hoje eu sei que certas promessas não devem ser feitas.

Quem dera eu ter o controle de tudo e ter raciocínio rápido em todas as situações. Queria eu poder dizer que todos os meus movimentos e ações são friamente calculados, mas pode ter certeza de que não são. Na verdade ainda não tenho certeza se isso é completamente ruim, porque o arriscar-se muitas vezes me fascina e me encanta.

O problema é o medo que insiste em martelar e acender o aviso de alerta. E aí me pego pensando que a velocidade das coisas talvez esteja um pouco acelerada demais. Talvez seja isso que mais assuste. Intensidade é uma daquelas coisas que tinham sido prometidas, com aquela história de “devagar com o andor porque o santo é de barro” sabe?

Mas o que fazer quando você acorda e percebe que ir devagar já se tornou impossível? E que a situação já está mais do que longe dos olhos, tomando o caminho certo para se instalar dentro do coração? A razão decidiu tirar férias e levou suas promessas na mala. O que fazer quando se envolver deixou de ser uma questão de escolha e já se tornou uma necessidade em sua vida?

Sinto como se já fosse tarde para parar pra pensar e tentar entender o que está acontecendo. Parece que o mundo se tornou mais divertido e que a vida tem ainda mais sentido para continuar. É como se toda as outras coisas se tornassem insignificantes e, até mesmo, como se nada mais existisse e nenhuma outra coisa me fizesse assim, tão feliz.

Felicidade. Estado de espírito constante nos últimos dias. Vontade de abraçar o mundo e espalhar esse sentimento que em mim parece transbordar. Gritar pra que todos ouçam o quanto é bom quebrar certas promessas, abandonar alguns medos e entrar de cabeça em um mundo novo, sem olhar pra trás.

Hoje eu sei que “Eu não quero que seja pra sempre, nem que seja o certo. Eu só quero que seja.” (Caio Abreu)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Continua lindo!




Quando mais nova tinha a mania de fazer saldões com os melhores momentos de viagens, feriados, festas e finais de semana divertidos. Por isso, durante uma conversa com o Isaac D´Leon no último sábado, em nossa despedida do Rio de Janeiro, tive a ideia de fazer um saldão da nossa viagem que, sem dúvidas, vai deixar muitas lembranças e saudades.

* Tomar uma cachaça no Bar do Gomes
* Andar pelas ladeiras do Santa Teresa
* Dormir em pé no Mofo, na Lapa
* Surpreender com o movimento da Avenida Mem de Sá que fica fechada nos finais de semana
* Ter bares para todos os lados que olhar
* Ir ao Sinuca da Lapa, bar onde as únicas mesas são de sinuca
* Aprender um novo método de Sinuca
* Conhecer a Gabriela Cravo e Canela no bar da Cachaça na Lapa
* Pagar R$30 em uma garrafa de pinga
* Conhecer pessoas divertidas e completamente diferentes
* Ouvir previsões em um mesa de boteco e ver a mulher acertar tudo que diz
* Dividir uma cama de casal com dois amigos (e por duas noites!)
* Passar uma semana com um senhor italiano que não sabe se fala português ou italiano
* Ter um bordel de travestis em frente sua casa e poder acompanhar todo o movimento da janela do quarto
* Não conseguir pegar um ônibus e ter de ir à praia de táxi
* Correr para ver a gravação da Globo que não era da Globo
* Ter uma caixinha de contribuição a cada esquina e não ter dinheiro para contribuir
* Encontrar o Malvino Salvador na rua e ter de me comportar
* Ser as únicas pessoas de short e camiseta, enquanto os cariocas andavam de agasalho pelas ruas
* Pegar o ônibus errado e conhecer todos os pontos turísticos do Rio de Janeiro
* Ouvir Mombojó depois de tanto tempo
* Subir o Corcovado de trem
* Conhecer o Cristo Redentor
* Gostar do pagodeiro do trem
* Fazer amizade na loja do Corcovado
* Jazz na Lapa e fim da noite no Bar da Cachaça
* Negociar a canga do Isaac e no final ele não comprar
* Acordar com uma pessoa te observando no quarto
* Comer o Podrão dos Arcos da Lapa
* Tomar uma e pagodear no Inferninho da Lapa
* Show do Jorge Ben no Gafieira Elite
* Achar tudo normal
* Descobrir que o Rio de Janeiro é uma terra sem lei e sem trabalho
* Porra, caralho, caraca, podecrê, SIIIIM, pô, e demais figuras de linguagem
* Ficar suave na nave e de leve na neve
* 161, 162, 433, 434
* Ficar na área gay da praia de Ipanema temendo a reação das pessoas
* Almoçar Bob´s, lanchar Bob´s, jantar Bob´s
* Derramar um copo de coca cola do Bob´s
* Ficar perdidos em Ipanema
* Relembrar um passado remoto (mas isso foi bom! haha)
* Levar uma pessoa que você conheceu há alguns dias para dormir na casa em que está hospedado
* Maior legal! (hahaha)
* Descobrir o que é falir em uma semana
* Apaixonar-se por um lugar e não querer mais voltar para a casa... e perceber que o Rio de Janeiro, CONTINUA LINDO!















quarta-feira, 1 de junho de 2011

Faça valer a pena!



Os últimos dias têm sido de muita reflexão. Sobre mim, sobre o mundo, sobre a vida, sobre tudo. Ouvi coisas que eu nem sei se queria ouvir nos últimos dias e isso me fez pensar em coisas que eu tenho certeza que eu não queria pensar. Ah se eu pudesse controlar meus pensamentos, eu seria tão mais feliz!


Dei conselhos a alguns amigos essa semana, mas na verdade parecia que eu estava dando conselhos a mim mesma. Ou que eu estava tentando entender coisas que eu já nem mais tentava entender.


E aí me aparece essa música dizendo pra eu fazer tudo valer a pena, que a vida é intensa mas ao mesmo tempo é pequena. E depois esse texto tentando me dizer a mesma coisa. Eu precisava postá-lo aqui e dividi-lo com vocês. Porque tenho certeza que muitas pessoas estão assim, tão em dúvida quanto eu.


Afinal, não custa nada tentar fazer com que tudo valha a pena.



Paradoxo do Nosso Tempo - George Carlin


Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.


Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.


Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.


Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.


Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'. Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame...se ame muito. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. Por isso, valorize sua família e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O apego não quer ir embora




Tem dias que eu sinto tanto a sua falta, que tudo que eu mais queria era poder correr pro seu colo e me sentir a pessoa mais protegida desse mundo. Ganhar seu abraço apertado, seu cafuné gostoso e achar que o mundo parou naquele momento. O tempo passou, é verdade, e acredito que eu tenha mesmo, de certa forma, amadurecido, mas, envelhecer não apaga quem fomos e muitas vezes ainda sinto alguns desejos de criança.

Hoje tento ser uma pessoa de quem você se orgulharia, e às vezes até acho que você, esteja onde estiver, realmente tem orgulho de mim, mas sinto falta de ouvir isso. Tem dias que falta o seu incentivo e o seu apoio diante dos momentos difíceis.

Eu tenho tentado entender que viver é morrer a cada dia e, assim, desejo sempre continuar morrendo por muitos e muitos anos. Mas, ao mesmo tempo, há uma espera ansiosa pelo nosso encontro, que hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza que ainda vai acontecer.

Mas eu ainda não encontrei aconchego melhor que o seu e proteção mais verdadeira que a sua. Ainda não consigo entender como vou morrer aos poucos sem a sua presença. Ainda tenho tantas etapas dessa vida para enfrentar e eu já não tenho certeza se conseguirei sem você ao meu lado.

“O infinito é o deus mais bonito”; É nele que eu procuro todos os dias a sua imagem e é pra ele que eu conto todo dia a falta que você me faz e o quanto é difícil ficar aqui sem você. Ele tem sido meu confidente durante todos esses anos, mas é uma pena que ele não tenha resposta pra muitas das perguntas que faço.

Eu fecho os olhos e ouço sua voz me dizendo que eu preciso ser forte, dia após dia, para enfrentar todos os problemas e dúvidas que me afligem e atormentam. E nesses momentos eu sinto como se você estivesse aqui, ao meu lado, segurando minha mão e dizendo que vai estar sempre comigo, mesmo que eu não possa vê-la. Eu acredito nisso para confortar meu coração.




"Me mostre um caminho, agora

Um jeito, de estar sem você

O apego, não quer ir embora

Diaxo, ele tem que querer!"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Esquecendo alguém

Já comecei a escrever um novo texto no meu celular (é, quando as ideias surgem de madrugada eu vou salvando no celular pra não esquecer no outro dia), mas hoje eu não tive clima de escrever. Eu nunca lidei muito bem com a morte de pessoas queridas, nem das próximas e até das mais distantes, e hoje uma pessoa muito especial se foi.

Mas, depois que comecei a frequentar mais o Centro Espírita to aprendendo a compreender mais estes momentos e entender que a dor é só nossa. Uma nova etapa da vida começa para quem se foi, em um mundo muito mais evoluído onde só existem coisas boas.

Mesmo assim hoje foi um dia difícil e então achei melhor ao invés de escrever, publicar um texto da Marina, do CorraMary.com que é também a minha opinião.


Esquecendo alguém

Ontem a noite, recebi uma inbox no Facebook de um rapazinho desesperado. Ele contava que há anos é apaixonado por uma garota que aparentemente não quer nada com ele, dizia que a menina é leitora do blog e me pedia ajuda.
Não há muito o que eu possa fazer em relação a ela. Na verdade não há muito o que eu possa fazer em relação a ninguém, mas é mais fácil incentivá-lo a esquecer o amor não correspondido do que botar uma arma na cabeça da menina e obrigá-la a amar o rapaz. Se ela ainda não o ama, nunca vai amar.

Como esquecer alguém?

Se eu tivesse a solução mágica para isso, certamente estaria rica nesse exato momento.
É nessa hora que aparecerão conselhos e mais conselhos de todos os tipos, alguns bons, outros nem tantos. Todo mundo sabe que o melhor mesmo é deixar o tempo passar. Ok, o tempo cura tudo, e cura mesmo, mas e enquanto ele não passa, o que fazer?

1) Sofra

Por incrível que pareça esse é sempre o primeiro conselho. Pular o luto, é adiar o sofrimento. Então deixe as musiquinhas felizes e baladas super animadas para o momento certo. Sofra o que tiver que sofrer, seja um dia ou uma semana, mas sofra o suficiente para não precisar sofrer parceladamente depois.

2) Perdoe

O principal motivo para se empacar em alguma relação que já passou mas o sentimento ainda não, é não conseguir perdoar. Somos acostumados a achar que teremos em dobro tudo o que fizermos. Mas a vida não é tão justa assim. Na maioria das vezes você vai fazer, fazer e fazer, e nunca terá nada em troca. Você pode até achar que perdoando está livrando a pessoa de toda a culpa que ela tem, mas na verdade o perdão só irá fazer bem a você, te livrando de toda a raiva que carrega. Você não precisa dizer o quão merda uma pessoa é. Ela sabe e terá que conviver a vida toda com as merdas que fez. Os erros foram dela, e ela que conviva com isso. Você não precisa dividir mais esse fardo.

3) Não virem amigos

Virar amigo de ex logo após o término é como querer virar vegetariano no meio de um churrasco. Não funciona e você sofre mais ainda. Isso limpa a consciência pesada que o outro lado está sentindo, mas fode mais ainda a sua cabeça. Não dá para tirar alguém de dentro de você, se essa pessoa ainda permanece constantemente no seu dia a dia. Se essa pessoa te tirou da vida dela, faça o mesmo.

4) Não se importe com o que a pessoa vai pensar

Muitas pessoas te dirão “Não dê o gostinho ao outro lado de saber que você está sofrendo”, mas quer saber? Foda-se. Sim, foda-se o que a pessoa irá achar do que você teve que fazer para esquecê-la. Não importa mais.
Você não pode se sentir culpado por simplemente estar sentindo a ausência de alguém. Porque você deveria se importar com o que pensa ou deixa de pensar alguém que você quer esquecer? Se é para esquecer, então esqueça direito!

5) Jogue no lixo tudo o que te fizer lembrar

Delete telefones, e-mails, mensagens. Jogue fora cartas, presentes, fotos, bilhetinhos. Tudo. Você não vai precisar de nada disso para relembrar do que tiveram. Tudo o que você precisa já está dentro de você, e não existe botão de delete capaz de apagar. Se agarrar a pequenas demonstrações de carinho só fará com que o passado se mantenha cada vez mais presente. Ou você acha mesmo que seguirá em frente acordando todas as manhãs e dando de cara com o retrato da viagem que fizeram nas últimas férias? O passado passa. Ele tem sempre que passar.

6) Ocupe-se

Comece um novo curso, faça uma viagem, escreva um livro, organize seus albúns de foto, mude o visual, compre roupas novas; enfim, faça algo por você que ocupe a sua cabeça e te faça sentir bem. Pare de sentir pena de você mesmo. Ficar em casa olhando para o teto não resolverá nada. Ninguém baterá na sua porta para te entregar uma garrafinha mágica da felicidade.

7) Suma

O momento mais difícil é sempre quando o outro insiste em procurar. Se a pessoa não está te ligando para se desculpar dos erros que cometeu com você e pedindo para que tenham um novo começo, leve em consideração que você pode ser apenas um alvo fácil e frágil disposto a saciar a carência momentânea do outro. É isso mesmo o que você quer?

8 ) Não tenha pressa em conhecer outras pessoas

Não sou a favor da teoria de que só se esquece um amor com outro amor. Das vezes em que tentei isso, percebia que estava na verdade desesperadamente tentando ocupar aquele buraco com pecinhas que nunca se encaixariam. Antes de gostar novamente de alguém, é preciso faxinar tudo o que ainda não foi embora do que já passou. E a cima de tudo, não envolver uma terceira pessoa em algo que ela não tem culpa nenhuma. Não transfira a sua dor para alguém que não teve nada a ver com ela.

9) Um dia de cada vez

Abstinência de um amor funciona como abstinência de qualquer droga. Você acha que vai enlouquecer, quer a todo custo e se não tomar uma atitude, pode ficar nessa para sempre. Não pense a longo prazo, pense em não procurar por apenas aquele dia, e no dia seguinte faça o mesmo. Cada vez que cair em tentação, tudo o que fizera antes, vai direto pra privada e você volta ao ponto de partida.

10) Ame-se

Pode parecer conselho de mãe, e realmente é, mas é um dos passos mais importantes. Você viveu a sua vida toda sem aquela pessoa, e viveu bem, porque não poderia voltar a viver sem? Você não precisa de ninguém que não precise de você, e quanto mais se sentir a pior pessoa do universo, menos conseguirá seguir em frente. Você se sente meio merda, meio feio, meio burro, meio não merecedor de amor, mas quando começar a se amar e voltar a se sentir no topo, vai perceber que aquela pessoa que antes parecia a pessoa perfeita pra você, na verdade nem era tudo isso.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Em paz

Eu esperei que você voltasse. Eu esperei todos os dias que o telefone tocasse e que fosse você, arrependido, me pedindo para recomeçarmos de onde paramos. Eu esperei ouvir você me dizer que nossos planos e acordos não estavam perdidos e que eles voltaram a ser válidos. Esperei pelos momentos de respiração ofegante, pelas risadas, as conversas sobre o trabalho com os desabafos, os desenhos detalhados e explicativos. Eu esperei, e por muito tempo eu quis tudo de volta.

Mesmo negando eu queria, mesmo negando eu sentia, mesmo negando ainda me doía. Era uma dor intensa e constante, como quando se corta o dedo com papel - a dor é pequena mas lateja, incomoda e grita a todo instante que ela está ali. Mas o problema é que eu não conseguia identificar onde mais doía: cabeça, peito, coração. Na verdade era uma dor que tomava o corpo todo. E eu esperava pelo dia em que essa dor iria passar.

Mas como diz aquela música do Marcelo Camelo com a Mallu Magalhães, que se estragou depois daquele último bilhete - "eu ando em frente por sentir vontade" e sim, eu segui. Mesmo ainda tendo gravada na memória aquela cena trágica de você cantando Madrid, guardei toda a minha saudade e aquela vontade de brigar pelo lugar no sofá e pela maior quantidade de travesseiros na cama. Guardei todo o ódio que eu sentia, pois, como eu já lhe disse algumas vezes, o ódio vive junto com o amor, e era melhor trocá-lo pela indiferença.

O passado perdeu a importância e o presente já não mais me importava. Parei de ouvir sua voz me dizendo bobagens e fazendo promessas que eu sabia que eram falsas e, que mesmo assim, me ganhavam. Parei de procurar carinho em suas palavras e parei de colocá-lo nas minhas. Tornei-me indiferente ao nosso mundo que um dia já tinha sido completo.

Não foi fácil me esquecer da sua organização e do quanto você ficava bravo em sair desta rotina robótica quando nos encontrávamos. Também não foi fácil esquecer da sua indecisão para escolher uma roupa, nem do charminho que você fazia quando queria alguma coisa, do seu jeito de estrelinha sempre cheio de si (até demais) e do quanto eu me divertia te vendo nervoso e com ciúmes.

É, fácil não foi, mas eu não desisti. Você me conhece - ou pelo menos deveria conhecer - e sabe que eu nunca fui de desistir facilmente das coisas que eu verdadeiramente queria. E, por isso, eu consegui. Eu pude um dia ter o orgulho ferido reconstruído pra dizer que a indiferença era mesmo real. E foi aí que eu parei de procurar toda e qualquer notícia.

Voltei a me preocupar com as minhas vontades, os meus sonhos e com a minha realização - tá, eu assumo que mais com a profissional do que com a pessoal -, voltei a me sentir capaz de ir atrás daquilo que realmente me fizesse bem. E é por isso que desta vez eu que não vou permitir que você atrapalhe a minha organização - alguma coisa eu tinha de aprender com você - e tudo aquilo que eu demorei tanto para colocar em ordem. É por isso que não vou deixar que você venha como um vendaval estragando tudo, me deixando mais uma vez em trapos e em cacos que eu demorei tanto para juntar. Eu não vou deixar que você invada a minha solidão que aprendi a conviver quando ainda estávamos juntos, ela agora é só minha e, juntas, nos entendemos muito bem.

Hoje eu sei que não posso me contentar com o pouco que você tem para me oferecer, pois muito pra mim já tem sido pouco, e pouco é tão pouco demais. Hoje, depois de ter passado tanto tempo esperando, eu não posso mais parar e muito menos recuar. A única coisa que espero agora é que tudo continue como está, em paz.

To correndo

Prestes a ir embora do trabalho para minha aula de Pilates, li um texto do Gabito Nunes que eu não poderia deixar de publicar aqui. Ele caiu como uma luva para o dia de hoje, em que fantasmas decidiram querer assombrar novamente a minha vida. Como me disse minha querida amiga Cheyane, quando seus defuntos começam a se desenterrar e te procurar, só tem uma coisa a fazer, correr, correr como se não houvesse amanhã. Vai por mim.


E é por isso, que eu... to correeeeeendoooo!!!


Vai aí o texto do Gabito pois eu tenho certeza que toda mulher precisa lê-lo.


Agosto amargo

Eu poderia me reinventar te contando como passei meus últimos dias, mas penso que as informações seriam meio incompletas, só sei do gosto de vodca e preguiça que não levantam comigo, misturados com o perfume agressivo de outros rapazes que dormi junto desejando acordar nunca mais. Os papos chatos, os sabores de beijos secos que não se sobrepõem ao seu na minha língua, as músicas altas demais que ouço com a manifesta intenção de estourar um tímpano, e explodir dentro de mim tudo que você ainda representa.


Olha pra mim. Ando finalmente me divertindo, sendo feliz pela noite, e transcorrendo os dias como se o futuro bonito fosse o que realmente parece ser - apenas um elogio falso pra gente sentir que sonhar é tão bacana quanto viver. Embora eu ainda acorde quente e molhada de pesadelos que tenho contigo, sempre de olhos abertos e inchados, claro. Dele, eu interpreto que o amor não passa de um cachorro louco, dando voltas, correndo atrás do rabo, babando doente de raiva. Você é meu eterno agosto, rapaz. Louco e amargo.


Seu sarcasmo sempre foi o diabo da nossa comunicação, então eu ordeno: tira esse riso sórdido do rosto, não vá pensando que essas palavras jorram da minha boca como placebo pro meu desconforto. A dor é meramente ilustrativa, e psicológica também. Ninguém jamais me fez sofrer, nunca me obrigariam a isso, sempre que sofri por alguém foi porque quis, não por julgar que valessem a lágrima, cada uma delas. Se corri tanto atrás de você foi pela ideia fixa de fazer justiça com as próprias pernas.


Mas agora tá tudo bem. Aprendi que quanto mais superficialmente você costura uma relação, menos chance há de se afogar. Navegar é preciso, o negócio é não faltar nas aulas sobre como boiar em águas nem doces nem salgadas. Hoje posso dizer convicta que prefiro o clarão das aparências que a penumbra de mergulhar fundo, sem saber como respirar abaixo do chão. Agora, como boa marinheira de incontáveis viagens, finalmente sei como desatar nós.


Eu sei, tudo isso soa meio triste e solitário, mas durante todo esse tempo que você ficou ao meu lado me ensinando como ser sozinha, tudo indica que fiquei boa nisso. Essa não é minha vida mesmo, essa alegria é emprestada, esse sorriso é postiço. No meu rosto decorado com pó diluível, a maquiagem é à prova de decepção - especial pra quem vaga pela noite sem o retornável desejo de quebrar a cara. E desse corpo que ofereci pra ser só seu, também não sou mais dona, agora é quase de quem quiser.


Cara, eu só queria te ver mostrando que precisa de mim, vez que outra. Que me amasse com ênfase nas vezes que não mereci ser amada. Porque, entre me sentir inútil só pra você e me sentir inútil pro resto do mundo, optei pela diversidade. Ok, não vou mentir, tenho sentimentos de estimação por você. Mas estou deixando de alimentá-los. Um dia eles morrem.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fui ser feliz.

Eu sempre tive a mania – péssima por sinal – de acreditar demais nas pessoas, de acreditar demais na mudança e na força do amor. Não que hoje eu tenha radicalizado e seja contra tudo isto, mas tenho começado a me posicionar melhor perante estas situações.

Isso porque eu sempre tive o vício de amar exageradamente, me entregar por inteira, corpo, alma e coração, sem me preocupar muito com o futuro e com as coisas que poderiam acontecer. Hoje eu entendo que essa minha forma de agir me classificava entre os burros amorosos, aqueles que esquecem da razão e só agem com o coração, só enxergam com a barreira do sentimento exacerbado e acreditam fielmente em tudo que a pessoa amada diz, mesmo que todo o contexto prove o contrário.

Acho que todo mundo tem essa fase. Pelo menos me consolo assim, pra que eu não fique pensando que sou uma aberração humana que só se mete em furada quando o assunto é relacionamento.

Mas hoje eu entendi que o problema não é passar por essa fase, o problema maior é nos estagnar nesta fase. Parar o mundo e querer descer ali mesmo, achando que já chegou ao ponto final e já atingiu o que de melhor nos espera.

Pior que ser um burro amoroso é ser um burro amoroso teimoso, que insiste, insiste, insiste mais uma vez, e mesmo cansado, ele continua insistindo. E ainda tem aquele que enxerga, mas que pra tentar acalmar o coração faz de conta que não viu e inventa uma desculpa pra si mesmo.

Eu estava assim. E o pior de tudo, eu sabia que estava. Uma das coisas que eu mais odiava era a minha intuição, porque essa tal de intuição feminina sempre arruma um jeitinho de mandar o seu recado. E eu, mesmo entendendo, fazia de conta que não tinha recebido recado nenhum. E eu não fiz isso uma, nem duas, nem três vezes. Pra ser sincera, já perdi as contas de quantas vezes fiz.

Mas até que um dia pensei “– Amor em pedaços? Se eu nunca me contentei com pouco em nada nesta vida, porque, logo com o amor, eu iria me contentar com pedacinhos?” Pode até parecer que eu to mentindo, mas não estou. Foi assim mesmo, de uma hora pra outra que eu resolvi aceitar os conselhos da minha, que voltou a ser, querida intuição. Pode até parecer simples, mas não foi. E não ache que estou aqui querendo te dizer que vai ser fácil, que basta acordar, sacudir a poeira e viver a vida, porque eu sei que não é. Mas existe uma coisa que se chama amor próprio que pode te ajudar nisso tudo.

Ouvi uma frase essa semana que me chamou muito a atenção. “Amor impossível, sim; improvável, nunca.” E é por isso que eu repito a mim mesma, todos os dias, que eu vou sempre correr atrás do impossível, mas que também vou sempre abandonar o improvável. Porque se um amor é improvável, tenha a certeza de que ele realmente não vai se realizar. Ou, se realizar, pode ser que ele não se fortaleça. Se ele era improvável era porque alguma coisa o fazia ser, e será que isso mudaria assim, de uma hora para a outra?

Acredite, a gente sempre sabe quando um amor é verdadeiro. A gente sempre sabe quando todos os nossos planos amorosos podem dar certo. E, principalmente, a gente sempre sabe quando uma coisa nos faz bem.

Não há noite longa que não encontre o dia. E não há momentos difíceis que sejam eternos. E são nestes momentos que devemos pensar mais na nossa felicidade do que na dos outros e ir em busca daquilo que te faz bem.

Fui ser feliz. E não volto.

Muito além do que se vê

Decidi. Esse blog vai bombar mais.

Minha necessidade de escrever é constante, mas eu confesso que tem dias em que a inspiração some, a quantidade de trabalho atrapalha e a preguiça também tem dado a sua contribuição. Mas devo confessar que me sinto tão cansada e esgotada que preciso mesmo voltar a atualizar esse blog com mais freqüência. Mais do que nunca eu preciso de um local de desabafo e sim, este é o lugar.

Comecei a mexer em algumas configurações, alterei layout e aos poucos pretendo incrementar ainda mais, para que esse ambiente se pareça realmente com um blog de verdade. E, acima de tudo, que ele seja cada vez mais a “minha cara, corpo, vontades, dúvidas e sentimentos”.

Eu sei que essa não é a primeira vez que eu prometo ser mais presente, mas dessa vez assumo o compromisso de, pelo menos tentar, mesmo que os posts não sejam com meus textos e sejam apenas dicas e sugestões.

Tudo isso e muito mais para que possamos enxergar muito mais do que “Além do que se vê”


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Missão Impossível

Todo mundo tem uma maneira de expressar sua ansiedade. Uns param de comer, outros comem demais. Uns se trancam em seus mundos criando expectativas e imaginando como será o tão esperado momento. Outros decidem fingir que não estão nem aí e, mesmo sem perceber, acabam evidenciando ainda mais a sua preocupação.

Roer unha, bater os pés no chão debaixo da mesa, arrancar os cabelos, escrever... tudo isso é sinal de que a ansiedade conseguiu tomar conta de mais um ser vivo que, mesmo disfarçadamente sofre, angustiado, para desvendar o mistério do que está por vir.


Missão impossível é conseguir esconder a ansiedade. Não dos outros, mas de si mesmo.

Mas o maior problema da ansiedade não são os quilos a mais, nem as horrorosas unhas roídas, nem as falhas no cabelo. O problema é que a ansiedade sempre nos força a meter os pés pelas mãos e quase sempre, nos faz cometer coisas que juramos – por todos anjos e santos e por todas as mães do planeta – que não faríamos mais.

Depois de meses ela ainda se mantia forte, não fraquejou em momento algum. Nem mesmo quando ele vinha com aquele papo cafajeste que ela sabia ser falso, mas que mesmo assim ainda conseguia comprar o seu orgulho. No fundo a gente sempre sabe quando uma pessoa está sendo sincera, a gente sempre sabe quando um amor é verdadeiro. Mas às vezes a vontade nos faz fingir acreditar naquilo que, em sã consciência, não acreditaríamos. Sim, a vontade nos rouba a sensatez, o equilíbrio e a capacidade de raciocínio lógico.

Ela sabia. Tanto sabia que há alguns meses chutou o balde. Sofreu, chorou, é verdade, mas chutou. Disse adeus sem olhar pra trás e guardou as boas lembranças em um canto qualquer, onde elas não pudessem ser vistas.

Abrir mão nunca foi fácil, mas dessa vez ela se mostrou forte e resistente. Não quis ter notícias, não quis ter contato. Mas, mesmo assim, ele insistia. Afinal, algumas pessoas nunca mudam. E nunca vão mudar. Mas o seu desejo de liberdade era maior e ela, enfim, conseguiu se libertar. Até o dia em que a ansiedade conseguiu colocá-la novamente naquela jaula. Conseguiu perturbá-la até em sonho, e está prestes a deixá-la gorda e careca.

E por agora ela só reza. Pede a proteção divina para que o que ela espera, não aconteça. Para que ela não tenha de usar sua força contra si mesma. Ela tem certeza de que vai conseguir, mas prefere não ter de provar. Espera não ter de colocar à prova tudo aquilo que disse nos últimos meses. Afinal, falar é fácil, mas controlar o que se sente, sempre foi e sempre vai ser, uma missão impossível.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Adeus ano velho... bobo, feio e chato!

É estranho achar que o tempo não passa, que os dias não têm fim e desejar tanto encerrar um ano, esperando ansiosamente pela chegada do próximo. Fim de ano sempre foi tão conturbado, tão movimentado, tão cheio de histórias, conversas e momentos divertidos. Não é fácil acostumar com a calmaria. Principalmente para mim, conhecida como o tumulto em forma de gente.

Mais difícil que a calmaria, é o sentimento estranho que invade sem eu nem conseguir explicar. Não é tristeza, não é alegria e muito menos saudade. Parece um conformismo irônico e desagradável, que vai aos poucos tomando conta. Um desânimo exagerado que atormenta e incomoda.

É também uma carência desmedida, causando um ciúme exageradamente insano e fora de controle. Um ciúme doentio de tudo e de todos: mãe, pai, irmão, amigos. É tão forte que algumas vezes até começo a acreditar que vai além... que chega a ser uma pontinha de inveja da felicidade alheia.

Não dá. Sinceramente, não dá.

Não tenho mais a pretensão de renovar promessas para o próximo ano, porque sei que no fim, acabo cometendo os mesmos erros, passando pelas mesmas crises e sobra tanta falta de paciência. É involuntário, eu juro.

E as pessoas ainda acham que estou exagerando quando digo que quero tanto que 2011 chegue. É minha última e única esperança que esse trágico momento passe e que a vida volte a sorrir novamente. Vez ou outra me pego afastando as pessoas com tanta negatividade. Logo eu, logo eu.

Eu não quero descobrir as causas, eu não quero desvendar nenhum mistério. Eu só quero que isso passe, eu só quero que esse ano acabe. E logo! E espero demasiadamente que o Ano Novo seja realmente NOVO, repleto de coisas boas!

Assumo, não gostei do texto. Não era isso que eu realmente queria escrever, mas, foi só isso que “saiu”. E, para completar, vou postar um texto que ao ler, achei que havia sido escrito por mim. É tudo que tenho me dito, desde aquela tarde em que eu resolvi que era o fim. O texto é do blog Verdade Feminina, que eu indico muuitoo!
Até nunca mais

Você pode enganar todas as meninas da cidade. Só lembre-se: ela não é uma delas. Ela nunca foi, porque seria agora? Só porque você chegou e virou a vida pelo avesso, transformou o que era certo em errado, mudou a cara pelo coroa. Não se engane, meu bem. Ela sabe como agir e ela definitivamente irá agir.

Em um dia qualquer ela olhou para o lado e simplesmente não sabia o que fazia ali. Não sabia se eram as taças a mais os pensamentos a mais. Aquilo não a pertencia, aquilo nunca seria dela. Uma pena? Uma sorte? E, felizmente, ela nunca se contentou com pouco. Nunca quis ser a segunda opção, a personagem secundária ou a tapa buraco. Ela não pertence a você, ela nunca vai pertencer a nada. Ela pertence somente ao mundo.

Pegou seu sapato vermelho – combinando com seu rosto demonstrando vergonha – e sua dignidade um pouco abalada e saiu porta a fora. Ela nunca olhou pra trás, ela nunca pensou em uma segunda chance. Segunda chance existe para os fracos conseguirem tomar atitudes sem um peso a mais nas costas, não pra ela. Muitos pensamentos, muita dor de cabeça. É, talvez o culpado disso tudo tenha sido realmente o champanhe da noite passada. Ou a vodka. Ou ela. Ou ele.

Ela não se desesperou, ela nem ao menos chorou de verdade. Lágrimas de crocodilo nunca foram seu problema. Fingia tão bem que até parecia você quando falava que a amava. Tudo mentira. Tudo balela. Lavou seu rosto, mas isso não foi o bastante para tirar as lembranças de sua mente. Mas afinal, o que seria o bastante? Mágoas, mentiras, lágrimas. Agora algo a dizia que aquilo tinha chegado ao fim.

Ela saiu e fechou a porta. Ela saiu e fechou seu coração. Até nunca mais.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tudo o que eu queria te dizer

E quando você disse "amo você, menina", olhando no fundo dos meus olhos agora cheios de sentimentos rasos e maternais, eu senti que a dor de um filho nascendo não deve ser tão desesperadora do que amor sem fim morrendo. Tudo que eu queria te dizer era tudo que eu não posso mais te dizer, ou tudo que eu queria ouvir mais vezes, muito tempo antes de chegarmos a esse ponto de partida, minha partida, tão adiada partida.

Eu só queria ter coragem pra dizer minha verdade nua, que não consigo despir de tantos planos para o futuro que ficaram no passado. E só queria dizer e ir embora numa boa, minha verdade crua, que há um tempo deixei cozinhando em banho-maria. Eu não sonho mais, eu não admiro mais, eu não estremeço mais, eu não me comovo mais. É incrível, eu sei, mas eu não amo mais.
Infelizmente, é a única verdade que tenho, mas o que vou fazer se só consigo dizer com pequenos gestos, como dormir quietinha, muito depois de você, de costas pra tudo aquilo que fazia meu sangue dar voltas e voltas no meu corpo cada noite que o nosso relógio passava tão rápido, contando cada segundo dessa coisa bonita que me fazia tão bem.

E agora parece que nossa história passou por nós dois. Tudo isso foi pra onde? Você sabe? E você, ainda sonha? Com nossa casa, o sofá novo chegando, a gente discutindo quem acorda primeiro esse sábado, onde ficaria sua coleção de REM, Joy Division, Cure, Legião Urbana. Sério que você sonha essas coisas? Pode me emprestar um pouco, se não tiver muita poeira? Lembra da minha rinite?

Não quero mais me contorcer inteira, como fosse uma fruta seca, tentando sentir algum entusiasmo cada vez que você diz alguma bobagem romântica atrasada. Não quero mais riscar cada dia no calendário esperando ter coragem pra me riscar do seu mapa. Não quero mais inventar desculpas toda vez que você vem pra cima e não conseguir sentir nem um pingo de romance ou sacanagem. Não quero mais lamentar triste sempre que me irritar de morte pelas suas manias que adorei toda vida. Não quero mais me sentir suja e culpada sempre que imagino minha mãe me reprimindo só porque deixei de amar um homem, coisa que ela nunca teve audácia de fazer. Não quero mais dar os ombros pra cada coisa bacana que você faz e ficar me sugando do avesso atrás de alguma graça.

Não quero mais você, não quero mais isso e confesso que no momento não ando querendo nem ser eu. Eu queria, eu queria mesmo, que amanhã chegasse um dia cinza, e você por alguns minutos calasse sua boca com seus papos sobre o hospital, seus discos ou a cervejaria nova da esquina de lado. Eu queria não saber de cor suas falas automáticas e as próximas quatro horas viciadas, buscando uma novidade que cause algum impacto nesse corpo que já não sente mais nada.

Se você deixasse tudo de lado, por cinco minutos, e escutasse tudo que meus olhos têm a te dizer, eu diria tudo em silêncio, sem precisar falar. Porque eu sei que todo vestígio de emoção e alegria pura que tenho por estar aqui estão sendo guardadas pra produzir algum choro denso e delicado, um choro pra dar um pouco de imporância a todas essas milhas que a gente acumulou e me fizeram viajar pra tão longe daqui. É tudo que eu queria te dizer. Eu não quero mais. Será que você pode ao menos tentar seguir sem mim?
Texto de Gabito Nunes, postado no www.carascomoeu.com.br
É tudo que eu quis dizer há algum tempo e não consegui. E é tudo que eu hoje sinto, mesmo que algumas pessoas insistam em achar que não.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Final Feliz

Não é possível que os finais felizes só existam nos filmes e novelas. Não, isso não é possível. E nada vai conseguir convencê-la do contrário. E nem adianta dizer que "se não deu certo é porque ainda não é o fim" porque a história do filme e da novela nunca tem fim. É claro que existe uma continuação para aquele ponto onde termina. Para tudo há. Para ela, até para a morte há.
E ela se questionava isso quase todos os dias antes de dormir. Quase porque tinha dias em que existiam alguns anestésicos que a faziam esquecer desse assunto por algumas curtas e finitas horas.
Ela não se sentia triste. Não, isso não. Mas também não se sentia completamente feliz. Existia sempre um vazio que nunca era preenchido. E se sentindo contrária ao que aparentava, descobria que as pessoas acreditavam verdadeira e cegamente no que viam.
É claro que ela se sentia aliviada por não parecer uma "barbie dentro da caixa"* rotulada e amassada. Mas, ao mesmo tempo, perguntava se as coisas deveriam ser realmente assim.
-Talvez o final feliz não tenha chegado porque todos têm a certeza de que já estou vivendo a parte que vem depois do final feliz.
Mas ela não conseguia descobrir o que fazer para mudar esta situação. Ela teria de nascer denovo e perder o sorriso dos lábios, o brilho nos olhos, a alegria contagiante e o jeito espontâneo de encarar a vida. E já que nascer denovo estava completamente fora do horizonte do possível, ela continuava tentando encontrar uma maneira de fazer com que o seu final feliz enfim chegasse.
E foi pensando em seus inúmeros recomeços, que ela descobriu que ninguém precisa de um final feliz para continuar. Foi assim que ela lembrou que não existe incentivo maior que a dor. Sim, porque é só quando se sente dor que surge a vontade de que ela passe o mais rápido possível. Só depois de passarmos por uma experiência sabemos se queremos ou não repeti-la. E, sinceramente, empenhamo-nos mais quando a resposta é negativa do que quando positiva.
E foi assim que ela descobriu e identificou os inúmeros finais felizes que já aconteceram em sua vida, que deram início a inúmeras continuações. E são as continuações que muitas vezes não têm seus finais felizes, nos deixando assim, como ela se sentia... com aquele vazio que a faz querer viver, novamente, um final feliz. Como se aquele fosse o último de sua vida.
E ela então adormece certa de que já realmente pode ter tido seu final feliz. Mas não pense você que amanhã, antes de dormir, ela não vai pensar nisso mais uma vez. Será assim até que o vazio se preencha e voltará a ser quando ele resolver aparecer novamente, como um ciclo vicioso.
*Expressão dedicada a Marielly Martins. Que talvez também mereça estas palavras.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Para uma amiga distante, mas especial...

Conta-se nos dedos quantas vezes nos encontramos, mas é impossível medir ou contabilizar o carinho que sinto por essa mulher. É estranho pensar que nos vimos tão pouco e que, mesmo assim, confio nela como se nos conhecêssemos há anos. Sinto falta das nossas conversas quando ela insiste em sumir do msn no horário comercial. Sinto saudades dos casos engraçados, da vontade que ela tem em me ajudar e encontrar soluções para meus problemas. Preocupada, dedicada, acolhedora, carinhosa e companheira são algumas de suas inúmeras qualidades que se destacaram desde o primeiro momento que a vi. Foram poucos encontros, mas suficientes e intensos o bastante para que ela se fizesse essencial. Sem dúvidas e sem nenhum receio posso dizer que ela é uma grande AMIGA e, independente de estar ou não presente, sinto que ela sempre estará ao meu lado. Conforta-me saber que com este mundo cada vez mais virtual é mais do que fácil mantermos e fortificarmos cada vez mais essa amizade que, para mim, é mais do que importante, é necessária e confortadora.

Me alegra saber que mesmo depois que os interesses que nos uniram acabaram, nossa cumplicidade continua a mesma. Me alegra mais ainda ter a certeza de que não precisamos de nenhum detalhe em comum para seguirmos compartilhando mistérios e confidenciando segredos. Saber que tenho seu apoio me acalma e eu sei que você também sabe que pode sempre contar comigo. É a nossa reciprocidade que nos une e nos faz sermos próximas, mesmo que distantes.

Gosto muito de você! Me preocupo com seus problemas, torço pela sua felicidade, sinto saudades e me lembro sempre de você, em cada detalhe. E espero que esse sentimento bom perdure por muitos e muitos anos.

Agora que percebi quanto tempo fiquei sem postar. E eu sinceramente não sei o porque disso. Mas eu prometo, estou, mais uma vez, de volta!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais um dia difícil

Hoje foi um daqueles dias. Daqueles difíceis dias em que eu não sei o que fazer. Mas a gente já sabia que isso ia acontecer, não é mesmo?

Perdi a conta de quantas vezes me questionei, somente hoje, se minto mais para mim ou para os outros. E confesso que, prestes a me deitar, ainda não encontrei a resposta.

Mas preciso assumir a mim mesma que não agüento mais o silêncio do meu celular, não agüento a ausência da sua presença. Eu ia sumir, mas você não precisa ter levado isso tão a sério! Eu ainda não te disse todas as grosserias que eu havia planejado. Eu ainda não me fiz de a rebelde resolvida pra ver você implorando meu perdão. Eu anda não vi você fazer metade das coisas que eu esperei que você fizesse.

E sim, é isso que mais me dói. O seu conformismo machuca. E é tanta dor que não há como esquecer.

Mas eu odeio você! Eu odeio esse seu jeito imperfeito de quem não tem o menor medo de me perder. Eu odeio a sua segurança. Odeio tudo! Mas já ouviu falar que amor e ódio andam juntos? (Foram exatamente estas palavras que eu usei na nossa última conversa.)

Mais que a ti, odeio a mim. Odeio ser fraca e desistir tão fácil. Odeio ser a melhor conselheira para minhas amigas, mas ao mesmo tempo ter a certeza de que estou falando mais para mim do que para elas. Me uso como exemplo. Orgulho-me do fato de não estar azucrinando ninguém com minhas lamentações, como se fosse uma das coisas mais bonitas do mundo sofrer sozinha.

Mas quem foi que disse que estou sofrendo? Não admito isso nem a mim mesma. Estou resolvida, esqueceu? E nada, nem ninguém vai me fazer voltar atrás.

Eu já não procuro explicações. Já não deixo mais filmes passarem pela minha cabeça. Eu não procuro informações. Eu não demonstro carinho. Não falo sobre lembranças. Não faço planos. E o pior é que isso tudo não se refere só a nós. Isso se refere à minha vida toda. Já não desejo mais, já não sonho mais. Estagnei. Parei no tempo enquanto vejo essa crise passar. E acompanho tudo de um camarote vip com convites esgotados.


Texto escrito na noite da última terça-feira, ao som de Janta – Marcelo Camelo e Malu Magalhães.

Há tanto tempo eu não escrevia tão rápido. Maldita hora em que resolvi entrar naquela locadora. Maldito filme de romance.
“As pessoas erram. Até mesmo as pessoas que amamos.”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O fim

Eu sempre soube que nada nessa vida é eterno, que tudo um dia tem fim. Mas há um ano eu me via lutando compulsivamente contra o fim de uma história que eu desejava fortemente que fosse eterna. O tal destino, sina, príncipe encantado, conto de fadas, chame do que quiser, eu só queria que fosse infinito.

Comecei a acreditar em mentiras nada sinceras e, pior que isso, comecei a criar e acreditar nas minhas próprias mentiras. Justificava erros injustificáveis, aceitava explicações que nada explicavam e acreditava que aquilo realmente era o suficiente.

Por alguns momentos eu até conseguia perceber esta situação, mas preferia continuar a sombra da mentira, escondida ali, sem correr riscos desconhecidos. Mas um dia cheguei ao limite. Sem escutar os conselhos alheios, sem qualquer situação desconfortável, sem brigas, sem discussões. Eu simplesmente entendi que o fim havia chegado. E mais, ele havia chegado há muito tempo, e eu não quis acreditar.

Não foi fácil. Não é fácil. Foram dias lutando contra mim mesma, querendo encontrar a tal luz no fim do túnel. Mas quanto mais eu procurava, mais distante essa luz parecia estar e, então, não tive outra alternativa a não ser aceitar.

Ok. Acabou. Eu me feri, me magoei e me senti uma das pessoas mais fracassadas deste mundo. Incapaz de tornar um desejo real. E por mais que eu tentasse impedir, um filme passava pela minha cabeça. Lembranças do seu cheiro, do seu toque, do seu carinho, das nossas conversas sinceras, das palavras de amor, das histórias para contar pros netos, de como você nunca conseguia mentir, das suas bobagens, da sua atenção e preocupação com meus problemas, das viagens, do primeiro encontro, o segundo, o vigésimo e o último. E minha memória revivia também os momentos trágicos, de brigas, discussões, mentiras e da falta de respeito mútua. E eu que teimava quando me diziam que nós já havíamos perdido o respeito.

E assim eu consegui finalmente aceitar que era o fim. Que de nada mais adiantaria adiar este momento. E que o melhor a se fazer era mesmo colocar um ponto final, sem reticências nesta linda e trágica história. Mas, mais difícil que aceitar o fim, foi saber como agir depois disso. O que falar, o que fazer, como me comportar depois que a decisão havia sido tomada. Como fingir que eu estava bem, que meu coração não doía e que as coisas estavam como eu realmente queria? Essa foi mesmo a parte mais difícil e, hoje, tenho a certeza de que foi aí que mais falhei. Eu não soube disfarçar e não soube evitar o clima.

As lágrimas me impediam de falar qualquer coisa e a solução que encontrei foi o bilhete. A música que eu tanto gostava e que, hoje, consegue fazer com que eu me sinta o pior e mais fracassado dos seres humanos. Mas, como aquele verso mesmo diz: “Tenho que aceitar; caberá, ao nosso amor o eterno, não dá”.

Não vou dizer que a dor passou. Não vou dizer que superei todos os meus medos e toda a minha decepção, mas, hoje, eu aceitei e sei que foi o melhor para nós, principalmente para mim. Sim, sem nenhuma dúvida, foi o adeus mais difícil, mas de maior alívio que já dei.

E que ninguém pense que a felicidade estampada no rosto hoje é falsa, pois ela não é. Independente de qualquer coisa, me sinto bem hoje, sem um peso de quatro anos e meio nas costas, leve e liberta para enfim continuar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Descansa Coração

Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão

Não sei pra onde vou
Não seiSe vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O passageiro ao lado

Viajar de ônibus já não é lá uma das coisas mais agradáveis e confortáveis nesse mundo. Ter alguém na poltrona ao lado, faz este momento se tornar ainda mais desagradável. Quando a viagem é para um local próximo, tudo bem. Mas enfrentar seis horas pela madrugada a fora com uma pessoa desconhecida é insuportavelmente chato.

Para uma pessoa neurótica como eu, a viagem deixa de ser monótona e acaba se tornando até um pouco tensa. Tensa sim. Quem me garante que o meu “vizinho” de poltrona não é um assaltante perigoso, um tarado ou qualquer outro tipo de mau elemento criminoso da sociedade? Pessoas com imaginação fértil, como a minha, pensam de tudo neste momento, não duvide.

Na madrugada da última terça para quarta-feira, entrei em um carro da viação Bel-Tour na cidade de Barra Mansa/RJ, e devido a minha demora para comprar a passagem fui obrigada a me sentar na poltrona do corredor e, achando que não teria algo pior que pudesse acontecer, sentei ao lado de um rapaz não muito apresentável e, para mim, um tanto quanto suspeito.

Mesmo odiando a situação tive de me assentar, afinal, o ônibus estava lotado e eu não tinha outra opção. E aí começou a paranóia. O bendito estava ao telefone, falando baixinho, virado para a janela. Deu pra perceber que ele não queria mesmo que eu ouvisse o que ele falava. “-Se ele for um assaltante, pode estar avisando aos comparsas que o ônibus está saindo da rodoviária, dando sinal para que eles esperem em algum ponto da rodovia e atualizando o plano”.

E pra dormir? Minha bolsa recheada com minhas coisas. Tá que dinheiro não tinha, mas e o apego material? E meu celular? E se ele tenta mexer enquanto durmo? Confesso: dormi atracada à bolsa, com um dos casacos por cima (dois sim, não entendo porque motoristas insistem em colocar o ar condicionado dos ônibus no máximo, mesmo em temperaturas amenas durante a madrugada), com a alça maior no ombro e uma das mãos segurando as alças menores. Paranóica? Eu?

Fora que devo ter implorado a Deus e a todos os santos existentes e inexistentes, para que o estranho vizinho descesse em alguma das cidades mais próximas. Resende, a primeira parada, foi minha primeira oração. Pouso Alto e assim por diante. Mas acredite, ele só desceu em Lavras, o meu destino.

Não que eu seja preconceituosa, mas malandro é malandro, mané é mané, né? E não vou ser eu quem vai vacilar! Rs No Rio de Janeiro, qualquer neguinho é bandido (branquinhos também, é só maneira de dizer) e ninguém está acima de qualquer suspeita. Fora que meu pai me passa tanto medo antes de viajar, que não tem como minha criatividade não aflorar.

O lado positivo disso tudo é que, mesmo com tanta criatividade, dormi como uma pedra. E a viagem passou mais rápido.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um gesto qualquer

Teve aquele tempo que ainda nem nos conhecíamos. Dias de "qualquer-um-serve" e drinques sofisticados pra brindar a rotina de viver com a impressão da morte sem que antes se veja tudo. Gente normal demais cansava, maus hábitos perpetuando-se, eram tempos de arregalar os olhos toda manhã e sacudir o desejo de querer sempre mais. O cartão de crédito e a saúde pagando juros abusivos sem o peito acompanhar a desforra.

A gente descansava as costas num muro gelado e olhava pra tudo. Não consigo viver sozinho, pronto falei. Doa-se coração - interessados, tratar comigo. De repente, amor. Assim, amor. Por acidente, amor. As mentiras das madrugadas dão lugar às verdades que decoro em plena insônia, pra dizer na sua orelha quentinha quando pela manhã você acordar com seu corpo junto ao meu.

Numa dessas, não lembro ter sentido tanto tesão em mil anos. Quando pareço sucumbindo, vem o sotaque moreno do seu cheiro lembrar do quanto sou paranoico, fraco e bobo. A luz da cidade invadindo a janela e tatuando a paisagem urbana em suas costas me faz tão bem. Sua calcinha branca, sem costuras e de menininha cheia de sonhos, sai fácil. Você é a personificação do pecado e por azar não mora ao lado. Com mais doses do seu corpo eu não usaria tantos cigarros fumaçando o som da Dave Matthews Band.

Mas não posso me dizer satisfeito. Embora também não possa dizer que não tente, a cada penetração. Nunca sei o ponto de parar, dormir, não pensar e velar teu sono solene, à luz amarelada dos postes na sua rua. Não sei o ponto de pausar minha ânsia de te amar. Ponto pra ti. Posso amá-la inteira, baseado em um centímetro de corpo, um medo externado, um gesto qualquer. Você é metonímia, pode toda ser significada por uma parte, pode ser a cartilagem molezinha embaixo do seu dedinho do pé. E é por isso que toda vez que você molda condescendente os olhos e a sobrancelhas escoltando um argumento meu, acredito um pouco mais no mundo. Tive sorte de encontrar alguém com suas caras de deboche.

E eu gosto de verdade, mesmo você se arriscando tanto me perder. Eu gosto de quando você dança sem me olhar, em festas free, com sua turma. Noutra ponta, taciturno, no vaivém de um beberico, te vejo. Doce de olhar, leve tal o vento em verões fora de época. Depois dali, relembro de como amar você e seus anéis de cabelo escuros, que parecem livres, posto que, se você é minha, teimo em não acreditar piamente nisso. Aí sorri, para e me procura um pouco. O silêncio no teu samba me pede pra voltar. Me impulsiono e volto. Te agarro de supetão e reavivo um punhado de anseios seus, no meio da pista. Você se joga em pedaços soltos, sempre testando meu engenho de pegá-la no ar. Tento crer que dou conta.

É legal brincar de não ter você, por alguns minutos. Olhar de longe e logo correr te abraçar. Não ter (tendo) e ter. São duas formas de encarar o mundo. Entendo que cada momento tem seu preço, prazo e recompensa. Reaprendo a aproveitá-los. Sempre que paro pra me ouvir, boto fé em nós. Ontem eu pensei seriamente em aceitar suas vírgulas, se você não encucar com minhas reticências. Quem sabe assim a gente permaneça cada dia mais perto e tão longe de um ponto final.

Gabito Nunes

Há algum tempo venho acompanhando os textos desse CarasComoEu e, na maioria, me sinto personagem destes textos. Com esse não foi diferente e, então, achei que seria interessante postá-lo aqui. O texto é todo dele, sem tirar, nem por, mas diz muita coisa que eu gostaria de dizer.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pra minha amiga nervosinha

Mi, Mimi, Mimigont, Pretinha, Preta, Pocahontas, curió, lesada... são muitas as maneiras de chamar essa minha amiga, e todas têm atreladas um carinho enorme. Minha amiga mais bravinha, que nunca leva desaforo pra casa; mais justa, que sempre luta pela igualdade e toma as dores de todos que a cercam; mais informada, sabe tudo que acontece e está sempre no lugar errado, na hora errada (é o contrário, eu confesso!rs) e, por isso, acabou se tornando a “Portadora da Má Notícia”, motivo de pânico quando nos chama no msn ou quando vemos chamada dela em nossos celulares. Quem é que não arrepia com o “beeeeem.. nem te conto!” da Michelle? Rs

E é por isso que hoje, neste dia tão especial, eu precisava te dizer mais do que parabéns, precisava mais do que desejar coisas boas. Primeiro queria agradecer por tudo que já passamos juntas. Por todas as vezes que precisei de uma palavra ou de um silêncio amigo, e você esteve ao meu lado. Por todas as vezes que você foi sincera e me disse tudo que achava. Por todas as vezes que eu precisava de uma companheira para cometer loucuras e você se dispôs. Por todas as vezes que descobrimos histórias mirabolantes e que você me defendeu de nossas “amigas” (hahaha). Por todas as vezes que brigamos, discutimos e fizemos as pazes, pois aprendi a aceitar as diferenças e opiniões contrárias. Obrigada por ter se tornado uma verdadeira amiga e não ter deixado o tempo e as circunstâncias nos afastarem.

Você se tornou uma mulher madura, batalhadora e hoje tem mais que meu carinho, tem minha admiração e meu respeito. Apesar de você sempre sonhar as coisas e sair falando (rs) e, mesmo sabendo que um dia você vai soltar certas informações sem querer, confio em você cegamente. Não sei exatamente o porquê, só sei que confio. Compartilhamos tantas opiniões e concordamos em tantas coisas, talvez seja por isso. Tenho sempre a necessidade de lhe contar as coisas que acontecem comigo e ouvir sua opinião, mesmo que em algumas vezes você a guarde e se manifeste somente com um: “faz o que você quer e não esquenta a cabeça!”. É bom saber que você sempre me apóia e nunca diz que já tinha me avisado.

Pretinha, toda vez que olho pra trás lembro do quanto fomos felizes juntas. Já passamos por tantas coisas, que hoje sempre me pego rindo sozinha das nossas histórias. Você fez parte de uma das fases mais maravilhosas de minha vida e, por mais que o tempo passe, eu nunca vou me esquecer! As voltinhas de carro quase furando a rua, as idas pra furnas, as barracas na lagoa, os gritos, as idas à Arcos, as festinhas, os “paióis”, as latas de lixo do banheiro, as músicas barangas (sua Baranguinha! Haha), os caderninhos, os segredos, os medos, os planos, as investigações, a cama quebrada na sua casa, os whiskys, a Absolut, as choradeiras, TUDO, tudo mesmo, me faz ver o quanto nossa amizade é especial e será pra sempre!

E no seu niver, eu não poderia deixar de lhe desejar toda a felicidade do mundo! Que você realize todos os seus sonhos, alcance todos os seus objetivos e tenha uma vida iluminada e abençoada por Deus! Paz, amor, saúde, harmonia, sucesso, hoje e sempre!
Amo você!