Eu esperei que você voltasse. Eu esperei todos os dias que o telefone tocasse e que fosse você, arrependido, me pedindo para recomeçarmos de onde paramos. Eu esperei ouvir você me dizer que nossos planos e acordos não estavam perdidos e que eles voltaram a ser válidos. Esperei pelos momentos de respiração ofegante, pelas risadas, as conversas sobre o trabalho com os desabafos, os desenhos detalhados e explicativos. Eu esperei, e por muito tempo eu quis tudo de volta.
Mesmo negando eu queria, mesmo negando eu sentia, mesmo negando ainda me doía. Era uma dor intensa e constante, como quando se corta o dedo com papel - a dor é pequena mas lateja, incomoda e grita a todo instante que ela está ali. Mas o problema é que eu não conseguia identificar onde mais doía: cabeça, peito, coração. Na verdade era uma dor que tomava o corpo todo. E eu esperava pelo dia em que essa dor iria passar.
Mas como diz aquela música do Marcelo Camelo com a Mallu Magalhães, que se estragou depois daquele último bilhete - "eu ando em frente por sentir vontade" e sim, eu segui. Mesmo ainda tendo gravada na memória aquela cena trágica de você cantando Madrid, guardei toda a minha saudade e aquela vontade de brigar pelo lugar no sofá e pela maior quantidade de travesseiros na cama. Guardei todo o ódio que eu sentia, pois, como eu já lhe disse algumas vezes, o ódio vive junto com o amor, e era melhor trocá-lo pela indiferença.
O passado perdeu a importância e o presente já não mais me importava. Parei de ouvir sua voz me dizendo bobagens e fazendo promessas que eu sabia que eram falsas e, que mesmo assim, me ganhavam. Parei de procurar carinho em suas palavras e parei de colocá-lo nas minhas. Tornei-me indiferente ao nosso mundo que um dia já tinha sido completo.
Não foi fácil me esquecer da sua organização e do quanto você ficava bravo em sair desta rotina robótica quando nos encontrávamos. Também não foi fácil esquecer da sua indecisão para escolher uma roupa, nem do charminho que você fazia quando queria alguma coisa, do seu jeito de estrelinha sempre cheio de si (até demais) e do quanto eu me divertia te vendo nervoso e com ciúmes.
É, fácil não foi, mas eu não desisti. Você me conhece - ou pelo menos deveria conhecer - e sabe que eu nunca fui de desistir facilmente das coisas que eu verdadeiramente queria. E, por isso, eu consegui. Eu pude um dia ter o orgulho ferido reconstruído pra dizer que a indiferença era mesmo real. E foi aí que eu parei de procurar toda e qualquer notícia.
Voltei a me preocupar com as minhas vontades, os meus sonhos e com a minha realização - tá, eu assumo que mais com a profissional do que com a pessoal -, voltei a me sentir capaz de ir atrás daquilo que realmente me fizesse bem. E é por isso que desta vez eu que não vou permitir que você atrapalhe a minha organização - alguma coisa eu tinha de aprender com você - e tudo aquilo que eu demorei tanto para colocar em ordem. É por isso que não vou deixar que você venha como um vendaval estragando tudo, me deixando mais uma vez em trapos e em cacos que eu demorei tanto para juntar. Eu não vou deixar que você invada a minha solidão que aprendi a conviver quando ainda estávamos juntos, ela agora é só minha e, juntas, nos entendemos muito bem.
Hoje eu sei que não posso me contentar com o pouco que você tem para me oferecer, pois muito pra mim já tem sido pouco, e pouco é tão pouco demais. Hoje, depois de ter passado tanto tempo esperando, eu não posso mais parar e muito menos recuar. A única coisa que espero agora é que tudo continue como está, em paz.
Mesmo negando eu queria, mesmo negando eu sentia, mesmo negando ainda me doía. Era uma dor intensa e constante, como quando se corta o dedo com papel - a dor é pequena mas lateja, incomoda e grita a todo instante que ela está ali. Mas o problema é que eu não conseguia identificar onde mais doía: cabeça, peito, coração. Na verdade era uma dor que tomava o corpo todo. E eu esperava pelo dia em que essa dor iria passar.
Mas como diz aquela música do Marcelo Camelo com a Mallu Magalhães, que se estragou depois daquele último bilhete - "eu ando em frente por sentir vontade" e sim, eu segui. Mesmo ainda tendo gravada na memória aquela cena trágica de você cantando Madrid, guardei toda a minha saudade e aquela vontade de brigar pelo lugar no sofá e pela maior quantidade de travesseiros na cama. Guardei todo o ódio que eu sentia, pois, como eu já lhe disse algumas vezes, o ódio vive junto com o amor, e era melhor trocá-lo pela indiferença.
O passado perdeu a importância e o presente já não mais me importava. Parei de ouvir sua voz me dizendo bobagens e fazendo promessas que eu sabia que eram falsas e, que mesmo assim, me ganhavam. Parei de procurar carinho em suas palavras e parei de colocá-lo nas minhas. Tornei-me indiferente ao nosso mundo que um dia já tinha sido completo.
Não foi fácil me esquecer da sua organização e do quanto você ficava bravo em sair desta rotina robótica quando nos encontrávamos. Também não foi fácil esquecer da sua indecisão para escolher uma roupa, nem do charminho que você fazia quando queria alguma coisa, do seu jeito de estrelinha sempre cheio de si (até demais) e do quanto eu me divertia te vendo nervoso e com ciúmes.
É, fácil não foi, mas eu não desisti. Você me conhece - ou pelo menos deveria conhecer - e sabe que eu nunca fui de desistir facilmente das coisas que eu verdadeiramente queria. E, por isso, eu consegui. Eu pude um dia ter o orgulho ferido reconstruído pra dizer que a indiferença era mesmo real. E foi aí que eu parei de procurar toda e qualquer notícia.
Voltei a me preocupar com as minhas vontades, os meus sonhos e com a minha realização - tá, eu assumo que mais com a profissional do que com a pessoal -, voltei a me sentir capaz de ir atrás daquilo que realmente me fizesse bem. E é por isso que desta vez eu que não vou permitir que você atrapalhe a minha organização - alguma coisa eu tinha de aprender com você - e tudo aquilo que eu demorei tanto para colocar em ordem. É por isso que não vou deixar que você venha como um vendaval estragando tudo, me deixando mais uma vez em trapos e em cacos que eu demorei tanto para juntar. Eu não vou deixar que você invada a minha solidão que aprendi a conviver quando ainda estávamos juntos, ela agora é só minha e, juntas, nos entendemos muito bem.
Hoje eu sei que não posso me contentar com o pouco que você tem para me oferecer, pois muito pra mim já tem sido pouco, e pouco é tão pouco demais. Hoje, depois de ter passado tanto tempo esperando, eu não posso mais parar e muito menos recuar. A única coisa que espero agora é que tudo continue como está, em paz.
Um comentário:
Brilhante, Paulinha! Um desabafo comum e emocionante... =)
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