sexta-feira, 29 de abril de 2011

Missão Impossível

Todo mundo tem uma maneira de expressar sua ansiedade. Uns param de comer, outros comem demais. Uns se trancam em seus mundos criando expectativas e imaginando como será o tão esperado momento. Outros decidem fingir que não estão nem aí e, mesmo sem perceber, acabam evidenciando ainda mais a sua preocupação.

Roer unha, bater os pés no chão debaixo da mesa, arrancar os cabelos, escrever... tudo isso é sinal de que a ansiedade conseguiu tomar conta de mais um ser vivo que, mesmo disfarçadamente sofre, angustiado, para desvendar o mistério do que está por vir.


Missão impossível é conseguir esconder a ansiedade. Não dos outros, mas de si mesmo.

Mas o maior problema da ansiedade não são os quilos a mais, nem as horrorosas unhas roídas, nem as falhas no cabelo. O problema é que a ansiedade sempre nos força a meter os pés pelas mãos e quase sempre, nos faz cometer coisas que juramos – por todos anjos e santos e por todas as mães do planeta – que não faríamos mais.

Depois de meses ela ainda se mantia forte, não fraquejou em momento algum. Nem mesmo quando ele vinha com aquele papo cafajeste que ela sabia ser falso, mas que mesmo assim ainda conseguia comprar o seu orgulho. No fundo a gente sempre sabe quando uma pessoa está sendo sincera, a gente sempre sabe quando um amor é verdadeiro. Mas às vezes a vontade nos faz fingir acreditar naquilo que, em sã consciência, não acreditaríamos. Sim, a vontade nos rouba a sensatez, o equilíbrio e a capacidade de raciocínio lógico.

Ela sabia. Tanto sabia que há alguns meses chutou o balde. Sofreu, chorou, é verdade, mas chutou. Disse adeus sem olhar pra trás e guardou as boas lembranças em um canto qualquer, onde elas não pudessem ser vistas.

Abrir mão nunca foi fácil, mas dessa vez ela se mostrou forte e resistente. Não quis ter notícias, não quis ter contato. Mas, mesmo assim, ele insistia. Afinal, algumas pessoas nunca mudam. E nunca vão mudar. Mas o seu desejo de liberdade era maior e ela, enfim, conseguiu se libertar. Até o dia em que a ansiedade conseguiu colocá-la novamente naquela jaula. Conseguiu perturbá-la até em sonho, e está prestes a deixá-la gorda e careca.

E por agora ela só reza. Pede a proteção divina para que o que ela espera, não aconteça. Para que ela não tenha de usar sua força contra si mesma. Ela tem certeza de que vai conseguir, mas prefere não ter de provar. Espera não ter de colocar à prova tudo aquilo que disse nos últimos meses. Afinal, falar é fácil, mas controlar o que se sente, sempre foi e sempre vai ser, uma missão impossível.

Um comentário:

Cheyane disse...

Não é fácil mesmo, mas ninguém disse que seria, né?