domingo, 25 de setembro de 2011

Pessoas estrelas

Em contradição a um dos apelidos mais carinhosos que já ganhei, tenho aprendido a odiar “pessoas estrelas”. Aquelas que somente passam por nossas vidas, aparecem e desaparecem com uma facilidade invejável. Pessoas estrelas brilham num dia, enchendo-nos de alegria e, no outro, se apagam, deixando-nos na escuridão.

Além disso, o termo aplica-se também àqueles que só se preocupam com eles mesmos. Afinal, qual é a utilidade das estrelas a não ser enfeitar o céu e nos encantar? Uma compete com a outra, uma sempre quer se destacar das demais. E nenhuma delas se importa com os pobres mortais que, da Terra, as admiram.

Pessoas estrelas também não. Não se importam com os sentimentos dos outros e nem se preocupam se a sua ausência machucará alguém. Pessoas estrelas querem brilhar e, para isso, são capazes até mesmo de roubar o brilho dos olhos de alguém. Se acham no direito de encantar, iludir e, depois, somem sem deixar pistas pelo buraco negro da vida. São egoístas, mesquinhas e cheias de si. São perturbadoras e não se contentam com pouco, querem sempre mais. Estão sempre atrás de mais brilho ou do pouco que sobrou naqueles que já sofreram em suas mãos. Quanto mais, melhor. Afinal, ninguém pode brilhar mais que uma pessoa estrela.

O problema é que não há como identificá-las antecipadamente. As pessoas estrelas irão sempre aparecer. E sumir. E aparecer novamente. E fazer doer. Estarão sempre indo e vindo, pelo simples prazer de roubar o brilho dos seus olhos. E será sempre assim. É assim com a/o minha/meu “estrelinha”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Perdi o rumo

Eu te digo não, mas você entende sim. Eu peço para que você desapareça, e você se faz ainda mais presente. Eu te mando espinhos, e você vê rosas. Eu me faço indiferente, e você encontra em mim um turbilhão de sentimentos. Eu tento me afastar, mas você sempre consegue me fazer voltar atrás. E quando eu finalmente acredito estar certa, você chega como um furacão, me fazendo, mais uma vez, perder o rumo.

Esse seu jeito malandro não me convence mais. Não consigo encontrar a verdade em suas palavras e, mesmo assim, eu perco meu tempo tentando entendê-las. Eu releio nossas conversas, eu revejo as cenas e tento, em vão, me convencer de que há um pouco de sinceridade no que você diz. Quanto mais eu penso, mais confusa eu fico. Eu sei o que não quero, mas não consigo definir o que quero.

Encontrei aquele CD que um dia foi a trilha sonora da nossa história e ouví-lo parecia estar revivendo tudo de bom que vivemos. As músicas pareciam anular toda a raiva e rancor que guardei durante todo o tempo que ficamos sem nos falar, além de apagar da minha memória o mal que você me fez. Tenho momentos repentinos de sanidade que me fazem acordar e esquecer tudo isso, mas eles passam na mesma velocidade com que chegam.

Enquanto isso, vou metendo os pés pelas mãos. Fazendo e falando coisas que não deveria e deixando escapar entre os meus dedos aquilo que eu tanto queria.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um jeito de estar sem você

Incrível como consigo ser ainda mais clichê quando me refiro a você, mas é que são doze anos vivendo a mesma saudade e sendo consumida pela falta que você me faz. E quanto mais o tempo passa, mais me convenço de que essa dor só se faz aumentar. Hoje eu sei que o tempo não consegue curar tudo e sei que algumas cicatrizes conseguem doer ainda mais que as próprias feridas.

Desde que você se foi, as coisas nunca mais foram completas. Estava sempre faltando um abraço, um sorriso, uma bronca, um carinho e um apoio. Em tudo que faço e em tudo que me acontece, falta você. O seu olhar atencioso e a sua força que me encorajava a enfrentar tudo e todos. Falta você aqui, juntinho de mim, me ajudando a ultrapassar meus próprios limites e a vencer meus medos.

Tem dias que sua ausência parece diminuir minha força e minha vontade e as coisas parecem não ter sentido sem você. Não tenho mais seu colo para me confortar, nem sua admiração pra eu conquistar. Não há nada que eu consiga comparar ao seu abraço e que faça eu me sentir segura de novo.

Por mais que eu acredite que você esteja me olhando de onde estás, mandando energias positivas e trabalhando para que meu destino se cumpra, eu queria sentir seu toque e seu perfume, passar as mãos em seus cabelo, dar risada das cócegas que você me fazia e sentir o melhor beijo de vó do mundo. Nem sempre a presença espiritual se faz suficiente e fecho os olhos torcendo para que, quando eu os abrir, você esteja em minha frente. E, mais uma vez, você não está, fazendo minha cicatriz latejar.

E aí eu me sinto sozinha de novo, e me vejo forçada a continuar, esperando que um dia eu descubra um jeito melhor de estar sem você.