Tem dias que paro pra pensar em coisas que talvez fosse melhor nem pensar. Mas a combinação música alta mais o nada para se fazer, não consegue impedir esses pensamentos. Além disso, algumas situações – como a que me encontro atualmente – trazem consigo, involuntariamente, esses momentos reflexivos.
É nestes momentos que consigo assistir minha vida, como um filme, relembrando cenas, diálogos e marcações. Analisando cada detalhe percebo que era muita pretensão achar que minha vida estava mesmo fechada e que eu conseguiria dirigi-la. Mas constatar isso faz surgir em mim um medo. Um medo grande que já passou daquela história de não querer perder o controle, porque isso eu sei que já perdi. É um medo que me instiga a mostrar coragem e que me mostra que toda aquela antiga segurança não tinha nada de corajosa, era só medo de sentir medo.
E aí eu perco meu pensamento em você. Nesse seu jeitinho rude que consegue me acalmar. Nessa sua mania de me deixar a vontade demais, conseguindo arrancar de mim tudo que você quer ouvir. Eu preciso dizer que me sinto a mais feliz das mulheres quando te vejo concentrado, pensando em nós. Eu gosto da sua desconfiança e do modo como você tenta disfarçar a sua insegurança. Me assusto com a sua solidão e com a sua ausência, mas ao mesmo tempo, sinto ainda mais vontade de ter você comigo. Mesmo longe você consegue ser presente, completamente vivo em mim, culpado por um sentimento bom que chega a transbordar.
Hoje eu já não saberia mais viver sem você. E eu confesso que isso nem passa pela minha cabeça. Odeio isso. Odeio não me preparar para o pior, mas é que esse seu abraço apertado espanta todo e qualquer pensamento ruim que eu possa ter. E quando alguma energia negativa tenta se aproximar, eu calço os seus chinelos e vejo que eu caibo em você, nesse seu colo aconchegante e nesse seu carinho enlouquecedor. Eu me encaixo nessa história, nesse roteiro, nesse filme. Nosso filme. O primeiro em que eu não me sinto como uma simples coadjuvante, mas sim, a personagem principal.
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