Preciso me livrar de um rótulo. Preciso me livrar de uma imagem que eu mesma criei, mas parece ser um pouco tarde para isso. A forte, a que não sofre, a que sempre consegue tocar a vida em frente sem se prender ao passado. Essa era eu. Sim, eu disse era. E era porque eu queria ser, porque assim eu me fazia parecer ser. Tenho completo horror pelo sentimento de pena e, por isso, nunca quis que ninguém o tivesse por mim. Nunca quis ser a coitada, muito menos aquela que precisa do máximo de atenção. E tanto desperdicei oportunidades, que agora, quando me vejo precisando disso, não consigo encontrar.
Nunca precisei (e nem aceitei) pedir conselhos. E também foram poucas as pessoas que me ofereceram, porque a maioria via em mim somente o rótulo. A carcaça forte e resistente, que não se abala com nada. Por muito tempo eu gostei de ser assim, me sentia bem assim, mas hoje eu confesso que já não sei mais. Porque as pessoas acabaram se acostumando com essa ideia e acreditando que eu talvez seja auto-suficiente. Acho que muitos se esqueceram que eu também tenho sentimentos, tenho meus medos, minhas inseguranças e minhas aflições. Eu também preciso de um ombro amigo pra chorar, um abraço apertado pra me confortar e um carinho para me consolar. Tenho alegrias para contar, vitórias para comemorar e um turbilhão de sensações para compartilhar.
Mas se existe algum culpado por tudo isso, sou eu. Fui eu que me tranquei nesse mundinho perfeito criado por mim, para nunca me mostrar abalada. Fui eu que dispensei o que me foi oferecido e ri das situações para ser ainda mais convincente. Mas isso, ninguém nunca vai entender. Porque “ninguém vai entender o que você sente até passar pela mesma situação”.
E só hoje, ao me encontrar na mesma situação daqueles que sempre me pediram conselho é que percebi que preciso me livrar desse rótulo. Jogar fora essa carcaça. Mas também percebi que talvez seja um pouco tarde demais. Até porque, me conheço bem e, aprendi a ser conselheira, mas não aprendi a ser ouvinte.