terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um gesto qualquer

Teve aquele tempo que ainda nem nos conhecíamos. Dias de "qualquer-um-serve" e drinques sofisticados pra brindar a rotina de viver com a impressão da morte sem que antes se veja tudo. Gente normal demais cansava, maus hábitos perpetuando-se, eram tempos de arregalar os olhos toda manhã e sacudir o desejo de querer sempre mais. O cartão de crédito e a saúde pagando juros abusivos sem o peito acompanhar a desforra.

A gente descansava as costas num muro gelado e olhava pra tudo. Não consigo viver sozinho, pronto falei. Doa-se coração - interessados, tratar comigo. De repente, amor. Assim, amor. Por acidente, amor. As mentiras das madrugadas dão lugar às verdades que decoro em plena insônia, pra dizer na sua orelha quentinha quando pela manhã você acordar com seu corpo junto ao meu.

Numa dessas, não lembro ter sentido tanto tesão em mil anos. Quando pareço sucumbindo, vem o sotaque moreno do seu cheiro lembrar do quanto sou paranoico, fraco e bobo. A luz da cidade invadindo a janela e tatuando a paisagem urbana em suas costas me faz tão bem. Sua calcinha branca, sem costuras e de menininha cheia de sonhos, sai fácil. Você é a personificação do pecado e por azar não mora ao lado. Com mais doses do seu corpo eu não usaria tantos cigarros fumaçando o som da Dave Matthews Band.

Mas não posso me dizer satisfeito. Embora também não possa dizer que não tente, a cada penetração. Nunca sei o ponto de parar, dormir, não pensar e velar teu sono solene, à luz amarelada dos postes na sua rua. Não sei o ponto de pausar minha ânsia de te amar. Ponto pra ti. Posso amá-la inteira, baseado em um centímetro de corpo, um medo externado, um gesto qualquer. Você é metonímia, pode toda ser significada por uma parte, pode ser a cartilagem molezinha embaixo do seu dedinho do pé. E é por isso que toda vez que você molda condescendente os olhos e a sobrancelhas escoltando um argumento meu, acredito um pouco mais no mundo. Tive sorte de encontrar alguém com suas caras de deboche.

E eu gosto de verdade, mesmo você se arriscando tanto me perder. Eu gosto de quando você dança sem me olhar, em festas free, com sua turma. Noutra ponta, taciturno, no vaivém de um beberico, te vejo. Doce de olhar, leve tal o vento em verões fora de época. Depois dali, relembro de como amar você e seus anéis de cabelo escuros, que parecem livres, posto que, se você é minha, teimo em não acreditar piamente nisso. Aí sorri, para e me procura um pouco. O silêncio no teu samba me pede pra voltar. Me impulsiono e volto. Te agarro de supetão e reavivo um punhado de anseios seus, no meio da pista. Você se joga em pedaços soltos, sempre testando meu engenho de pegá-la no ar. Tento crer que dou conta.

É legal brincar de não ter você, por alguns minutos. Olhar de longe e logo correr te abraçar. Não ter (tendo) e ter. São duas formas de encarar o mundo. Entendo que cada momento tem seu preço, prazo e recompensa. Reaprendo a aproveitá-los. Sempre que paro pra me ouvir, boto fé em nós. Ontem eu pensei seriamente em aceitar suas vírgulas, se você não encucar com minhas reticências. Quem sabe assim a gente permaneça cada dia mais perto e tão longe de um ponto final.

Gabito Nunes

Há algum tempo venho acompanhando os textos desse CarasComoEu e, na maioria, me sinto personagem destes textos. Com esse não foi diferente e, então, achei que seria interessante postá-lo aqui. O texto é todo dele, sem tirar, nem por, mas diz muita coisa que eu gostaria de dizer.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pra minha amiga nervosinha

Mi, Mimi, Mimigont, Pretinha, Preta, Pocahontas, curió, lesada... são muitas as maneiras de chamar essa minha amiga, e todas têm atreladas um carinho enorme. Minha amiga mais bravinha, que nunca leva desaforo pra casa; mais justa, que sempre luta pela igualdade e toma as dores de todos que a cercam; mais informada, sabe tudo que acontece e está sempre no lugar errado, na hora errada (é o contrário, eu confesso!rs) e, por isso, acabou se tornando a “Portadora da Má Notícia”, motivo de pânico quando nos chama no msn ou quando vemos chamada dela em nossos celulares. Quem é que não arrepia com o “beeeeem.. nem te conto!” da Michelle? Rs

E é por isso que hoje, neste dia tão especial, eu precisava te dizer mais do que parabéns, precisava mais do que desejar coisas boas. Primeiro queria agradecer por tudo que já passamos juntas. Por todas as vezes que precisei de uma palavra ou de um silêncio amigo, e você esteve ao meu lado. Por todas as vezes que você foi sincera e me disse tudo que achava. Por todas as vezes que eu precisava de uma companheira para cometer loucuras e você se dispôs. Por todas as vezes que descobrimos histórias mirabolantes e que você me defendeu de nossas “amigas” (hahaha). Por todas as vezes que brigamos, discutimos e fizemos as pazes, pois aprendi a aceitar as diferenças e opiniões contrárias. Obrigada por ter se tornado uma verdadeira amiga e não ter deixado o tempo e as circunstâncias nos afastarem.

Você se tornou uma mulher madura, batalhadora e hoje tem mais que meu carinho, tem minha admiração e meu respeito. Apesar de você sempre sonhar as coisas e sair falando (rs) e, mesmo sabendo que um dia você vai soltar certas informações sem querer, confio em você cegamente. Não sei exatamente o porquê, só sei que confio. Compartilhamos tantas opiniões e concordamos em tantas coisas, talvez seja por isso. Tenho sempre a necessidade de lhe contar as coisas que acontecem comigo e ouvir sua opinião, mesmo que em algumas vezes você a guarde e se manifeste somente com um: “faz o que você quer e não esquenta a cabeça!”. É bom saber que você sempre me apóia e nunca diz que já tinha me avisado.

Pretinha, toda vez que olho pra trás lembro do quanto fomos felizes juntas. Já passamos por tantas coisas, que hoje sempre me pego rindo sozinha das nossas histórias. Você fez parte de uma das fases mais maravilhosas de minha vida e, por mais que o tempo passe, eu nunca vou me esquecer! As voltinhas de carro quase furando a rua, as idas pra furnas, as barracas na lagoa, os gritos, as idas à Arcos, as festinhas, os “paióis”, as latas de lixo do banheiro, as músicas barangas (sua Baranguinha! Haha), os caderninhos, os segredos, os medos, os planos, as investigações, a cama quebrada na sua casa, os whiskys, a Absolut, as choradeiras, TUDO, tudo mesmo, me faz ver o quanto nossa amizade é especial e será pra sempre!

E no seu niver, eu não poderia deixar de lhe desejar toda a felicidade do mundo! Que você realize todos os seus sonhos, alcance todos os seus objetivos e tenha uma vida iluminada e abençoada por Deus! Paz, amor, saúde, harmonia, sucesso, hoje e sempre!
Amo você!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudade

Eu sempre soube que saudade doía. Aprendi cedo a conviver com esse sentimento com a perda da minha querida vovó e, depois sempre me vi cercada de saudade.

Era um amigo que partia, um namoradinho de uma cidade distante e, até mesmo, saudade dos dias que ficavam para trás. Saudade da inocência, da pureza e da beleza da infância. A saudade se tornou proporcional ao meu crescimento: quanto mais velha me tornava, mais saudade eu sentia. Mas, ao mesmo tempo, mais aprendia a conviver com esse sentimento. Mais eu sabia conviver com a vontade de ter certas coisas e pessoas de volta.

Mas hoje me sinto tomada por uma saudade que não cessa. É uma falta absurda de pessoas que nunca imaginei conhecer, mas que compartilhei os melhores anos de minha vida. Foram quatro anos de amizade, respeito, carinho, admiração, confiança e uma harmonia inexplicável que nos une até hoje.

Como já disse Clarice (É, a Lispector... é que sou íntima!rs), sinto a falta delas como se me faltasse um dente na frente: excrucitante. Sinto falta de todos os detalhes: das voltinhas nos corredores, das conversas infinitas, dos conselhos, das crises de riso, das brigas, das cantorias, do veneno que escorria, dos apelidos engraçados, das conversas inúteis, das coisas bobas, das manhãs de sábado cheias de ressaca, das olheiras, das voltinhas de carro, dos apelidos úteis, das voltinhas de van e até mesmo das voltinhas a pé, das festas, das bebedeiras, das choradeiras, dos desabafos, dos casos engraçados, dos fiascos, enfim, das histórias que contaremos para nossos netos.

Tenho saudade da psicopatia da Marielly, sempre neurótica, sempre em dúvida e sempre achando que todos queriam lhe fazer mal. Tenho saudade da falta de responsabilidade da Cheyane, do cheiro de fumaça e das conversas no buteco que sempre rendiam. Sinto falta da alegria da Guardinha e de ouvir seus jargões engraçados. Sinto falta até do mau humor da Purunguinha, ops! Daniela Takahashi e da Renata Cristina sempre me imitando. Até o enjuamento atleticano dessa Renata me faz falta.

Passamos por tantos momentos juntas. Compartilhamos tantas histórias, tantos segredos e tantos sentimentos, que sete meses após nossa ‘separação’ ainda não consegui me acostumar. O convívio diário me deixou mal acostumada e quem dera se conseguíssemos nos encontrar pelo menos uma vez por semana. Ta, tudo bem, to pedindo muito. Uma vez por mês já seria ótimo.

O bombardeio de e-mails todos os dias supre um pouco a falta e dá continuidade à amizade que construímos, mas não diminui a saudade que sinto. Ninguém mais é como elas, nenhuma amizade se compara. Não que elas tenham substituído amizades antigas, mas elas conquistaram um espaço nunca atingido por ninguém.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sem assunto.

Ociosidade = vontade de escrever.

Mas hoje estou sem tema, sem inspiração, sem necessidade. Só estou com vontade. E isso parece não estar sendo suficiente.

Tá. Então vamos falar de qualquer assunto. São 16h22 de uma sexta-feira 13 no mês de agosto e isso soa um pouco maquiavélico. Algo assim, monstruoso e talvez até incompreensível. Talvez seja por isso que recebi uma ligação às 03h30 da madruga que só pude ver hoje, quando acordei para trabalhar.

E sabe o que foi mais espantoso? Não, não foi a ligação. Foi o meu arzinho sonso, bobo e feliz ao ver a chamada. O riso incontido no cantinho da boca e a vontade de retornar naquela mesma hora e dizer: - Oi? Você me ligou? (quando na verdade a vontade era de dizer: - Que bom que você ligou! Esperei por isso a noite toda!)

É completamente sem explicação como não consigo parar de lembrar da ligação. Como todos os assuntos acabam sempre comigo contando toda cheia de mim da ligação perdida. Me sentindo verdadeiramente a última bolacha do pacote, a última coca-cola do deserto.

Consegui até esquecer que hoje começa o VR Folia na maldita Volta Redonda, residência da musa da beleza interior, que tanto assombra minha vida. E quer saber? Eu nem quero mesmo pensar nisso! Só consigo pensar no momento em que vou enfim retornar a ligação e, claro, tentando ser durona dizer não o que eu queria, mas o que eu preciso (?) dizer.

E a expectativa é ainda maior já que a folga garantida desde o início da semana e omitida, será enfim revelada. Ta. Aqui posso confessar que isso causa um certo medinho! Rs Afinal de contas, não sei qual será a reação. Tenho medo do convite ter sido da boca pra fora, mas será? Foi repetido tantas vezes, com um ar tão sincero, não parecia ser falso.

Por que a gente sempre tem de pensar no lado negativo das coisas? Isso atrai, sabia? (Lembrei da reunião com a Priscila e ela falando sobre O Segredo. rs) Então vou respirar fundo antes de ligar, bolar um plano e dar a notícia. (Pensei tanto nesse plano que até esqueci de contar que vi um colchão amarrado em cima de uma moto que parecia muito uma placenta. Fiquei confusa se era o colchão ou a placenta, mas acho que eram as duas coisas. É uma pena, é feio eu dizer isso, mas me deu uma vontade súbita de soltar uma gargalhada e dizer, para que ela visse do retrovisor, você é ridícula! Mas me controlei.)

Voltando ao foco... (pra quem não tinha assunto né?) Faltam poucos minutos pra eu ir embora (parei de escrever pra tomar café e pra conversar com a psicopata Marielly Martins, dando dicas de suicídio, pra ela, não pra mim.). E depois de fazer as coisas que ainda tenho de fazer, farei a tal ligação. Sim, sem planos. Porque no fim das contas, as coisas nunca saem mesmo como planejadas.

Trilha sonora: Jeito Moleque – 5 elementos. (Perdi a conta de quantas vezes escutei esse CD hoje, vontade reprimida pra Girus? Indecisão que me acompanha, sempre!)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Feliz, sim

Ao som de Los Hermanos deu vontade de escrever...

Na verdade, vontade já tive há alguns dias, mas faltou tempo pra isso. Dessa vez eu juro que não faltou disposição, foi só tempo mesmo. (No último post eu já havia dito que estava trabalhando MUITO, né? Rs)

Desde ontem não tenho andado muito legal. Acho que depois que passaram todos os eventos e que tudo parece estar querendo se acalmar, desmoronei. Sabe? Entrou em erupção todo o estresse, todo nervosismo e toda a vontade de matar alguém (alguém já definido, por sinal).

Por outro lado alguns conflitos internos parecem estar sendo resolvidos. Estou orgulhosa de mim mesma por alguns resultados, e por mais estranho que possa parecer, estou orgulhosa de mim por ter desistido de desistir de certas coisas. E acabei me descobrindo mais forte (e mais insistente também).

Mas, apesar do cansaço, da preguiça de certas coisas e pessoas, da falta de paciência pra burrice alheia, pra raiva de pessoas falsas, posso dizer que hoje estou FELIZ. Feliz sim. Descobri que trabalho com o que realmente gosto de fazer. Sim, é desgastante e muitas vezes tenho fortes dores de cabeça, mas é o que eu gosto e tenho prazer em fazer.

Relembrei (é, porque isso eu já tinha descoberto há muito tempo) que tenho uma família maravilhosa, que me apóia e torce sempre pelo meu melhor, e que também tenho amigas sinceras e verdadeiras, que nem o tempo, nem a distância vão nos afastar. (Isso supera completamente a decepção com novas amizades).

E descobri também que tenho um amor puro e completo. Um amor sim. Que passa por momentos de tempestades, mas também tem horas de calmaria. Um amor que me decepciona, que machuca, que maltrata, que me faz chorar, que deixa saudades, que me faz sonhar, que me faz sorrir, que me faz fazer planos e que me faz sentir a mulher mais amada do mundo.

E de nada adianta alguém tentar me convencer do contrário. De nada adianta alguém tentar nos separar, porque no final a gente sempre se encontra. Hoje tenho mais do que certeza do que sinto e do quanto esse amor me faz bem, e é por isso que não tenho mais a menor vontade de desistir, de deixar pra trás e deixar morrer.

Se a falência tem solução, por que é que com as relações seria diferente? Não acredito que o amor não possa se reerguer e que as pessoas não possam voltar a ser felizes. Eu gosto é do gasto, do estrago e, principalmente, de reverter situações. Estou feliz sim. E vou continuar lutando para que essa felicidade só aumente, cada dia mais.

(Parei de escrever por diversas vezes para resolver questões do trabalho mas, em uma dessas vezes, foi só pra ler o texto novo do Gabito, publicado no blog Caras como Eu. E posso dizer que, mais uma vez, esse texto descreve como me sinto. Dessa vez me coloco dos dois lados: como autor e personagem. E talvez isso explique um pouco a minha felicidade.
http://www.carascomoeu.com.br/2010/03/cuidar-de-voce.html )