sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Prazer pela metade

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido - uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação.... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão.Às vezes, dá vontade de fazer tudo 'errado' - deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'. Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de coco, um sofá pra eu ver 10 episódios do'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Clive Owen embrulhado pra presente - não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.



Texto de Leila Ferreira - jornalista, apresentadora de TV, escritora. Mineira de Araxá, ex- Globo, atual TV Minas.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Até agora não consegui entender o por quê dessa minha vontade súbita de criar um blog... Ouvi hoje pela manhã (do meu querido companheiro de assessoria...rs) que o blog vem suprir a ausência do orkut que deletei há alguns dias, mas, será mesmo?

Sempre tive facilidade e senti necessidade de escrever o que tenho pensado, sentido e até mesmo aquelas coisas estranhas que não consigo definir... Talvez seja essa a explicação... Ou talvez não exista explicação alguma... Simplesmente deu vontade e aqui estou... escrevendo meu primeiro post...


Tudo anda completamente diferente do que sempre foi... São tantas mudanças... é tanta novidade, que estou um pouco perdida no meio disso tudo...

As responsabilidades no trabalho aumentam gradativamente e junto à elas, também cresce a expectativa em relação à famosa e temida MONOGRAFIA... (ohh palavrinha fdp que tem me tirado o sono! rs) Tudo bem que ainda estou no meu primeiro Projeto Experimental, mas em menos de um ano esse pavoroso trabalho deve estar pronto. Pronto, corrigido e na ponta da língua para encarar a banca.. Melhor nem pensar nisso por enquanto!

As relações se dividem... Coração bate acelerado e isso tem me feito um bem danado! Por outro lado, é estranho passar por algumas pessoas que fazem questão de se mostrarem com um ódio gigante contra mim... É estranho sim, mas, ao mesmo tempo tento pensar que pessoas assim é melhor mesmo não ter por perto para não nos enganarmos no futuro... Talvez seja isso mesmo!

Tô com saudades de uma fase boa que passei nos últimos tempos... Aliás, boa é pouco... como diria o Richard, foi SENSACIONAL... Pena que todo mundo é "gente grande" e tem que se preocupar com os inúmeros problemas da vida... E assim, as micaretas estão ficando mais ausentes... Junto à elas estão os encontros que também estão cada dia mais difíceis de acontecer...

Além disso, o fato de ter excluído o orkut realmente me deixou um pouco mais distante dessas pessoas que tem sido difícil encontrar pessoalmente e que até pelo msn é complicado... Tlavez entõ o blog seja mais uma ferramenta para o contato com tais ausentes... E aí volta aquela questão de que o blog vem suprir a ausência...